sábado, 18 de março de 2017

Capitéis do Al-Andaluz

"O capitel como elemento arquitectónico é a parte superior de uma coluna ou pilar e a sua função é transmitir o esforço do peso para o fuste que é a parte intermédia entre a coluna e a base "




No Al-Andaluz em termos arquitectónicos nunca foi imposto um "cânone" para seguir um determinado estilo como era habito nos edifícios da época clássica, embora existissem diversas constantes estilísticas e elementos predominantes tais como os arcos e os gessos, em que cada edifico apresenta peculiaridades que o diferencia dos demais.
No caso dos capitéis assistiu-se a uma evolução continua, se numa primeira fase durante o emirado de Córdoba foram reutilizados capitéis de edifícios Romanos, assim como doricos ou jonicos mais estilizados, já durante a época Califal são característicos os capitéis em " ninho de vespa" e com motivos vegetais, existindo alguns também com palavras dirigidas a Allah e aos governantes da época.




No século XII com o domínio Almoada surge uma nova reinterpretação dos capitéis, caracterizada por uma geometria simples e uma austeridade notória nas suas construções mas rapidamente conduziu a um dos momentos de maior esplendor particularmente na arquitectura. Mantiveram como suporte os arcos e pilares da época anterior, Almoravida.




Durante o período Nasrida os capitéis respeitavam o traço original Almoada não trazendo originalmente grande evolução de inicio, mais tarde com o desenvolvimento cultural Nasrida surge a coluna de fuste cilíndrico e o capitel de dois corpos , um cilíndrico decorado com faixas e um outro cúbico com ataurique.


Fotos : José Alberto Ribeiro

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O arco Islamico em ferradura

Situado no interior do arco da vila, constitui uma das principais entradas em cotovelo na cidade de Faro e remonta ao século XI

O arco de ferradura é uma das muitas formas que este elemento construtivo pode apresentar. Tem uma característica específica: o arco continua depois das suas nascenças, descansando nas impostas, para além da linha que contem o centro da circunferência. Dos Visigodos passou à arte Hispano-Muçulmana e, dali passou à arte moçarabe e à arte mudejar. Os historiadores dividem se quanto á sua génese:

- Gomez-Moreno, considera o arco de ferradura de origem peninsular e anterior a invasão árabe.
- Auguste Choisy considera que o arco aparece pela necessidade construtiva de se fazer um recuo nas nascenças, para colocação da cofragem.
- Henry Martin conclui que a arte árabe importou da Pérsia as cúpulas, os arcos de ferradura e os arcos polilobados.
- Creswell considera que este arco foi ditado por primitivas estruturas de madeira em que uma cobertura de bambu foi curvada. Esta estrutura terá sido copiada nos templos cortados nas rochas, da Índia.

No período das invasões barbaras, a Península Ibérica albergou os visigodos e admitiu o seu domínio mas sujeitou-os à sua cultura, porquanto a estrutura nómada deste povo, não permitia que a tivessem. Foram um povo que se arrastou ao longo da Europa em convulsões sucessivas de guerras sangrentas, trazia consigo a tenda que o tapa da chuva e elementos de virilidade guerreira nos alforges do seu cavalo, feitos de metal, de pedras preciosas e de couro com uma mistura de simbologias que traduzem o seu contacto com outros povos, com outras religiões. no longo caminho de gerações, até chegar à Península.

Estela do período Visigótico com arco em ferradura encontrada em Mértola
Na segunda metade do séc.VI as tropas de Justiniano trouxeram para a península o prestígio da grandiosa arte bizantina e fizeram com que a poderosa civilização dos visigodos convertidos, atingisse o seu apogeu, na segunda metade do séc.VII.
Os visigodos contribuem com a sua arte decorativa, fruto do seu nomadismo. O arco de ferradura torna-se então uma constante desta arquitectura, como elemento construtivo já existente na Península.

Arco Emiral; Um legado Visigodo

Arco Emiral - Mesquita Catedral de Córdoba
 Quando Abd al Rahman I desembarca em Almuñecar (século VIII) e fundou o Emirado de Córdoba (756-929) os árabes já tinham começado a usar o arco em ferradura. O primeiro dos governantes Omíadas iria lançar um plano político que colocaria o Al Andalus no centro do próprio mundo islâmico, com a intenção lançou a primeira pedra  da Mesquita de Córdoba em 785. O emir construiu a mesquita em tempo surpreendente. Foi construída em apenas um ano, tal era certa a urgência para ganhar prestígio e consolidar o seu poder e, para isso forçou a contratação de artesãos locais que operavam perfeitamente o arco em ferradura Visigótico. Para isso recorreram a ruínas Romanas e Visigóticas nas redondezas, dai se compreende a semelhança entre os arcos Emirais e os Visigóticos.

O arco Califal - O triunfo Hispano-Muçulmano

Porta de San Esteban



O arco Hispano-Muçulmano atinge o seu apogeu no séc IX .  Embora tenha nascido no período Emiral a partir de um ponto de vista artístico pode-se falar sobre Arco Califado. A sua primeira manifestação aparece no arco superior da porta da fachada original da Mesquita  de Córdova na porta de San Estêban.

O apogeu do arco em ferradura; Lobulos e cruzes.

Mesquita de Cordova
                                 
Com o nascimento do Califado de Córdoba (929-1031) a arte muçulmana atingiu o seu apogeu. No magnífico palácio de Medina Azahara (936) assim como na Mesquita de Córdoba surgem as manifestações mais requintadas de arte Andaluza, incluindo arcos lobulados (originalmente da Mesopotâmia) e cruzando arcos com a utilização de estuques.


Fontes : Creswell, K.kC. Compêndio de Arquitectura Paleo Islâmica. Public. Universidad                                         de Sevilla, vol. l.

             Gomes-Moreno. M. Retazos. Ideas sobre Historia, Cultura y arte. Cons.Sup.                                  Invest.Cicntíficas .1970.

             Saldanha, F.; A.A. Silva. Arte Visigótica em Portugal. Tese Doutoramento.                                        Faculdade de Letras de Lisboa, 1962.

Fotos . José Alberto Ribeiro
            Obrigado João Ribeiro pela foto do arco de Faro

sábado, 11 de fevereiro de 2017

A decoração estampilhada da talha em período Almoada


O período Almoada representa já a fase final do domínio Islâmico no sudoeste peninsular e decorre entre os séculos XII e XIII. É uma época notável pois vive por um lado o período da "Reconquista Cristã", e por outro, o culto ideológico do poder do chefe e de Deus e isso pode se verificar na epigrafia das cerâmicas
É uma época de intolerância religiosa, as mesquitas foram destruídas ou convertidas em igrejas e muitos muçulmanos foram viver para fora de portas aparecendo assim as mourarias.


As Talhas

As talhas eram usadas principalmente como depósitos de agua ou como armazenamento de cereais e frutos secos. Eram compostas por um gargalo de boca larga e um bordo da aba grossa e um bojo globular que assenta numa base plana ou ligeiramente convexa.
A sua pasta mal cozida e porosa era branca ou avermelhada conforme a zona de onde era extraído o barro.


Nas talhas que ostentavam o tradicional estampilhado é de notar que apenas o colo e o ombro são revestidos e impermeabilizados pela tradicional pasta verde de oxido de cobre, pode se concluir então que eram utilizados para armazenar agua de beber. A parte inferior como não tinha qualquer tipo de revestimento ou cobertura vitrea  eram portanto naturalmente humedecidas conservando assim a agua sempre fresca. As talhas que não eram vidradas poderiam ser impermeabilizadas com pez ou gordura.


A decoração estampilhada era feita através de um molde ou matriz aplicado na peça com o barro ainda verde ( não cozido), deixando na peça motivos decorativos que aparecem tanto na horizontal como na vertical, segundo um registo de elementos sobrepostos. Os registos decorativos eram geralmente delimitados por frisos preenchidos por decoração rectilínea ou curvilínea incisa por  losangos impressos através de uma ferramenta rolante.
Em cada matriz da talha surgiam, alem do elemento principal, pequenos elementos diversos que preenchiam os espaços vazios num processo simétrico e equilibrado.



As talhas e os seus temas 

 
Tema Geométrico - Varias formas geométricas aparecem como elementos principais na cerâmica estampilhada, destacando-se as sequências entrelaçadas e concêntricas de losangos, estrelas de seis e oito pontas e algumas com formas circulares.

Tema Fitomorfico - Elementos muito estilizados e longe de se assemelharem a plantas naturais, Aparecem também elementos não identificados que surgem como temas centrais ou de preenchimento ale das tradicionais palmetas, flor de lotus ou rosetas.

Tema Epigrafico - A escrita árabe é um dos temas mais abundantes nas estampilhas da talha. Tanto em estilo cufico como em cursivo aparecem legendas bem epigrafadas de carácter religioso Al-Muk e outras de bênção e bem estar tais como al-yumme e baraka. Alem do carácter ornamental têm para um muçulmano um poder profilactico capaz de proteger não só o produto conservado como a a casa e seus donos.

Tema Zoomorfico - Existem vários exemplos com este tema e normalmente são representados através de aves, havendo alguns onde são apresentados também quadrúpedes aos pares ou mesmo leões.

Tema Antropomorfico - Normalmente o único elemento do corpo humano representado é a mão, este motivo é chamado por mão de Fátima ou Rhamsa (cinco). A religião   muçulmana na sua vertente popular converteu este símbolo e adaptou-o  á sua estrutura religiosa e social. A sua representação nas talhas demonstra mais uma vez a preocupação e o temor dos muçulmanos medievais em relação aos espíritos maléficos ou mau - olhado
sobre o alimento conservado.

Tema arquitectónico - É representado essencialmente por formas de arcos polilobulados
em ferradura, quase sempre delimitados ou preenchidos por motivos de carácter vegetal.

Adaptação de texto de Ricardo Tomás / Campo Arqueológico de Tavira
Fotos . Jose Alberto Ribeiro


sábado, 4 de fevereiro de 2017

Torre albarrã do Castelo de Paderne devolvida à sua monumentalidade

A torre albarrã do Castelo de Paderne vai ser restaurada, numa intervenção que será coordenada pelo arquitecto Manuel López Vicente, especialista em conservação de taipa militar, e que custará no total cerca de 100 mil euros.




As obras neste monumento, classificado como imóvel de interesse público, são promovidas pela Direcção Regional de Cultura do Algarve e contam com o apoio, enquanto mecenas, da Fundação Millenium BCP, e ainda da Câmara Municipal de Albufeira.
O custo dos trabalhos é de 87 mil euros mais IVA, o que dá os cerca de 100 mil euros já referidos. Mas esta é apenas uma pequena parte da intervenção total que o Castelo de Paderne, com os seus 900 anos de história, precisaria, como salientou Alexandra Gonçalves, directora regional de Cultura, na assinatura dos protocolos entre as três entidades. (...)



http://www.sulinformacao.pt/2016/08/torre-albarra-do-castelo-de-paderne-devolvida-a-sua-monumentalidade-com-obras-de-100-mil-euros/

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A arte Moçarabe - Friso dos leões

FRISO DOS LEÕES
Sécs. IX-X
Dimensões -  31 x 70 x 35 cm
Material - Calcário
Precedência - Mosteiro de São Félix de Chelas, Lisboa
Actualmente está exposto no Museu Arqueológico do Carmo



Friso rectangular de composição decorativa horizontal, mutilado nas duas faces menores e com faltas de material nas faces maiores.
Composição superior, mais larga organizada em secções: um elemento vegetal (Árvore da Vida) ladeado por dois leões de perfil, com urna pata dianteira ligeiramente elevada sobre a Árvore e com o focinho olhando directamente para o observador.
Em segundo plano, por trás dos leões, outros elementos vegetais com secções delimitadas por troncos verticais com folhagem fazendo a ligação a outra secção do lado direito, truncada, e provavelmente outra do lado esquerdo de que não resta qualquer elemento. Composição inferior separa-se da superior através de uma moldura rectangular e é integralmente preenchida por uma banda ondulante de videira, alternando folhas com cachos de uva. Identificado em 1864, por Vilhena Barbosa, no claustro velho do Mosteiro de Chelas, este friso seguiu o mesmo percurso historiográfico de uma catalogação visigótica até à inclusão na arte moçárabe.
Plásticamente, encontram-se alguns traços comuns com outras peças da mesma época e expostos também no Museu Arqueológico do Carmo, como o tratamento das linhas anatómicas dos corpos.
Iconograficamente, reflecte a imagem do Paraíso, com um sentido apotropaico, os leões são os protectores da Árvore da vida, que afastam as forças demoníacas da fonte de Eternidade a que o Homem anseia.

Exposições
Portugal Islâmico. Os Últimos Sinais do Mediterrâneo” (Lisboa, 1998)
El Esplendor de los Omeyas Cordobeses” (Córdova. 2000).

Bibliografla
BARBOSA, IV.. 864. pp. 38o-38
FIGUEIREDO. 8., .890. pp. 34 36
VALDEZ. JÁ.. .898. pp. i~ i8
CORREIA, V.. ‘928. p. 387
LACERDA,A., 1942, pp. ‘40 e i46
ALMEIDA. F.. ‘958. p. i3; 1962. p. z3o. fig. 293. ~ p. ‘4
PALOL. P.. i~68.p. 63
FONTAINE,J.. 19734,. 201
SCHLUNIC. II. e HAUSCHILD, T., ‘978. p. z,5
CRUZVILLALÓN. M., .985. p. 3n
ALMEIDA. C.A.F., 1986. vol. 2, pp. 55 e 59
HAIJSCHILD,T.. i~86.p. i69
CORZO SÁNCHEZ. R.. ‘989. p. 72
CABALLERO ZOREDA. L. ~ p. ‘o6: ‘992. pp. 159 e ,73-,85
TORRES, C.. ‘992. p. 411
ALARCAO.J.. 994. p65; Quis. 1994 (reed.), p. 43
FABLAO. 1994. p. 263:

Foto - José Alberto Ribeiro


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Candis Islâmicos em cerâmica ( qandil)


O candil no percurso do seu desenvolvimento sofreu diversas influencias que contribuíram para a evolução de formas muito distintas, estando assim na origem da sua diversificação tipológica. Se por um lado temos de considerar as sua influencias pre- Islâmicas sobretudo de influencia Fenícia e Iraniana, por outro deveremos também considerar a incorporação das formas dos artefactos de iluminação dos territórios conquistados ao longo da marcha do Islão desde a Arábia ate á Península Ibérica, são disso exemplo os modelos Tardo-Romanos, Bizantinos e Norte Africanos. É este o contexto especifico do candil peninsular. Por sua vez o candil Português apresenta variantes locais que estão relacionadas sobretudo com a situação marcadamente periférica desse território, Al-Andalus, distanciando se em relação aos principais centros políticos e culturais tais como Córdoba e mais tarde Sevilha.


Tipologia e terminologia 

A definição prende-se directamente com os elementos que constituem o artefacto em si. No caso dos candis distingue-se como elemento essencial o deposito, fechado ou aberto, que contem o combustível e o bico que possui  a mecha.
Como elementos complementares surge o colo por onde se alimenta o deposito de combustível e a asa que tem uma função utilitária que permite a deslocação do candil .
O deposito é o elemento que sofreu mais alterações e cuja forma é a mais relevante na atribuição de tipologia.
Por sua vez a terminologia constitui um campo em que o consenso se impõe, não só em função do rigor cientifico mas sobretudo como uma exigência absoluta recorrente do processo de informatização regido pelas necessidades especificas da criação e utilização de uma base de dados consistente.
A questão de terminologia reflecte-se também na maneira como o património é abordado, pois não é por acaso que o ambiente hostil ao Islão leva a que por vezes seja ocultado com o rotulo de medieval ou baixo-medieval em vez de ser designado por Islâmico, que de facto é. 


Candis em cerâmica 


                          Época Califal  (923- 1031)                            




Os séculos VIII e IX constituem um período formativo nas artes do Al-Andalus, em que os elementos tardo romanos e visigóticos são confrontados e moldados pelos cânones das artes islâmicas em pleno florescimento no Oriente Islâmico, dando assim origem a uma original simbiose no Al-Andalus que com o decorrer do tempo elaborou a sua própria linguagem artística e estilística plenamente afirmada no século X.
Em linhas gerais os candis de época Califa caracterizam se por um deposito fechado de forma lenticular, bico de canal largo e com paredes abauladas e acentuadamente levantado em relação á base . A junção do bico ao deposito na maior parte dos casos um espessamento que resulta da junção posterior dos dois elementos.

Época das Taifas (Século XI)




Em Portugal a fragmentação territorial do califado de Córdoba foi facilitada pela situação periférica e assim cedo surgiram novos centros de poder local que protagonizaram as aspirações de independência . A dinastia dos Aftacidas ou Banu Al-Aftas  ( 1022-1091) com a capital em Badajoz dominou  grande parte do Alentejo actual e estendia se ate Leiria. No Algarve instituíram se duas famílias reinantes nomeadamente os Banu Muzaiyin (1028-1063) em Silves ( Xilb) que rapidamente se transformou num relevantes centro de poder económico e artístico e os Banu Harun (1016-1052) em Faro ( Shantamarya de Harun) . É neste período que a diferenciação das produções cerâmicas provenientes agora de diferentes centros de produção adquiriu um cunho mais marcante com os candis a reproduzirem um deposito lenticular dos candis califais mas já com um bico facetado e não abauluado indicando claramente uma tendência plenamente firmada com os candis decorados a corda seca parcial.
Este tipo de candis são chamados de "bico de pato" cuja presença e constante nos levantamentos arqueológicos no Alentejo e Algarve e apresentam pastas bege, rosadas ou claras, homogéneas e bem depuradas.

Época dos Almoravidas (Século XI / XII)




O domínio politico do Almoravidas  em relação ao território Português abrange o período compreendido entre  1091 e 1046, sendo a conquista de Lisboa em 1147 um resultado directo da desagregação e perda de controle territorial por parte dos Muçulmanos.
É um período de transição, em termos artísticos, em que correntemente são produzidos artefactos que continuam ainda as tradições anteriores embora com algumas alterações o que dificulta uma distinção clara.
Por outro lado tratando se de um período politicamente instável deu origem a uma degradação da economia que se reflectiu também na qualidade das produções da época geralmente menos cuidadas.
Morfologicamente estes candis apresentam uma forma diferenciada dos candis da epoca califal. Têm uma base circular plana, deposito circular achatado na parte superior com colo mais alto e boca extravasada com bordo boleado. o bico do canal apresenta-se mais alongado sem espessamento na junção do deposito com paredes facetadas e ponta triangular. a decoração com a técnica de corda seca parcial é disposta na parte superior do deposito junto do arranque do bico de canal e na parte superior do bico.


Época dos Almoadas (Século XII / XIII)







Em relação ao território Português esta época situa se entre 1154 e 1249 e constitui a derradeira presença Islâmica em território nacional com a reconquista.
A presença Almoada que tinha como origem um movimento religioso e que depressa se tornou num movimento com enorme poderio politico e militar introduziu profundas alterações na sociedade do Al-Andalus seja a nível politico ou mesmo religioso, o que inevitavelmente se reflectiu na cultura e também nas artes. É neste período que a influencia Berbere mais se intensificou.
Nos artefactos cerâmicos, ao nível da decoração, surgem novidades tais como o emprego de tinta preta e a escrita cursiva ( nashhi ). No âmbito dos candis opera-se uma verdadeira revolução que se traduz pela introdução de duas tipologias novas. Trata-se do candil de deposito aberto de forma trilobada  e do candil de pé alto.
O candil de deposito aberto apresenta base plana e paredes rectas ligeiramente extrovertidas com bordo biselado e com uma asa dorsal de fita.
O candil de pé alto representa uma forma evolutiva do candil de deposito aberto, na medida em que foi acrescentado um pé alto, oco por dentro. A asa prolonga-se desde o deposito ate á base de onde sai o pé e é coberto em toda a superfície por vidrado monocromo.

Fonte : O arqueólogo Português, serie IV, 11/12, 1994-1994
Fotos - José Alberto Ribeiro

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Taipa militar Almoada



A construção de muralhas considerou-se desde a antiguidade um capitulo diferenciado no âmbito da historia da disciplina de arquitectura. A dinastia Almoada foi eximia na construção de muralhas em taipa militar, quando observamos os alçados de uma muralha de taipa como a do castelo de Paderne são perspectiveis algumas das marcas exclusivas deste processo construtivo que sem dificuldade são detectáveis devido á falta de rebocos.
As características principais de uma muralha Almoada são :




1 - A utilização de cofragem e a não utilização de rebocos. A taipa militar á semelhança  da taipa civil é uma técnica construtiva que se faz por módulos que correspondem á  utilização de taipais e difere da taipa civil pela ausência de rebocos que reforcem a sua  protecção e pela percentagem da cal utilizada. Uma vez terminado um modulo de taipa  retirava se o taipal para acrescentar de novo um modulo á fiada que se pretendia executar.  Nas fiadas superiores as uniões dos taipais realizavam se desencontradas das uniões das  fiadas inferiores.

2 - Uma métrica especifica, os sinais deixados pela uniformidade métrica da altura das        sucessivas fiadas tiveram no período Almoada uma métrica especifica, essa métrica tinha  por base o duplo côvado ma`muni que corresponde a cerca de 85 de altura. Poderá aferir  essa medida em quaisquer das alturas das cofragens da muralha do castelo de Paderne.  Para o comprimento não havia nenhuma medida padrão aproveitando se assim a medida  máxima da tábua.

3 - Os vestígios de agulhas, as agulhas eram réguas de madeira que atravessam na      horizontal o muro e serviam de apoio aos taipais e designam se por agulhas inferiores ou    superiores. Na construção de grandes espessuras como uma muralha que podiam atingir 3  metros eram utilizadas meias agulhas que eram mais fáceis de manobrar e  economicamente mais rentáveis pelo dispêndio de material. As agulhas foram ficando  durante séculos no interior da muralha e com o tempo deram origem ás filas sequenciais  de orifícios que são imagem de marca das muralhas de taipa do periodo Almoada. pode  se concluir que cofragem ou taipal é a grande responsável pela imagem destas      construções. Por cada modulo executado guarda em si o negativo dos elementos que  compuseram a cofragem e de todos os elementos o que mais ressaltam é o negativo das  agulhas perfiladas em linhas horizontais

4 -  Simulação de juntas de grandes silhares, os alçados eram revestidos na sua totalidade  por faixas de reboco branco com cerca de 10 cms e que se cruzavam aparentando serem  juntas de grandes silhares, essas faixas muito características do período Almoada,  aparentado uma técnica próxima do estuque. Os viajantes Muçulmanos referem estas  muralhas de terra especificas do Ocidente e decoradas com ilusão óptica tomavam nas  com frequência por alvenaria de pedra. Ainda hoje são visíveis na face exterior de  algumas muralhas califais Hispano-Mouriscas que sobreviveram ao passar dos séculos.
 No Algarve temos exemplos desses falsos silhares precisamente no castelo de  Paderne assim como no castelo de Silves e perderam se os do castelo de Salir graças a uma incorrecta intervenção. No  castelo de  Paderne ainda hoje podem ser vistas na torre albarrã e no exterior do canto  nordeste do castelo.
      




Adaptação de texto de Dra. Natercia Magalhães
Fotos - José Alberto Ribeiro
















quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Castelo de Paderne recebe recriação da antiga romaria de Nossa Senhora do Castelo




O Castelo de Paderne vai acolher uma recriação da antiga romaria de Nossa Senhora do Castelo, no próximo domingo, a partir das 14h00.
A iniciativa «A Fortaleza da Fé» pretende «contribuir para a valorização do património local, das tradições e crenças da população de Paderne e da sua relação com o monumento, proporcionando também a visita ao monumento pelo público em geral», segundo a Direção Regional de Cultura do Algarve.
A recriação da Romaria de Nossa Senhora do Castelo começa com uma procissão, que parte das muralhas do Castelo de Paderne, seguida de missa cantada e tocada na Ermida de Nossa Senhora da Assunção, no interior do Castelo e de  um concerto pela Banda Filarmónica de Paderne. No final há um beberete.
A iniciativa, que também comemora o Dia Mundial da Música (1 de Outubro), contará com as atuações da Bandinha Popular, Saxy-Band, Grupo Coral e Banda Filarmónica.
Com organização, produção e realização da Sociedade Musical e Recreio de Paderne, esta iniciativa tem o apoio da Câmara Municipal de Albufeira e da Junta de Freguesia de Paderne. «O Castelo da Fé» decorre no âmbito do programa da Direção Regional de Cultura do Algarve DiVaM 2016 – «O Espírito do Lugar», desenvolvido em parceria com agentes culturais da região.

http://www.sulinformacao.pt/2016/09/castelo-de-paderne-recriacao-da-antiga-romaria-de-nossa-senhora-do-castelo/

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Torre Albarrã do Castelo de Paderne vai ser restaurada



A Torre Albarrã do Castelo de Paderne vai ser restaurada. Para dar início ao processo, na sexta-feira, 29 de Julho, às 15h30, vai ser assinado, no salão nobre da Câmara de Albufeira, o Protocolo de Colaboração para Valorização, Restauro e Conservação dessa parte do monumento nacional.
O protocolo envolve a Câmara de Albufeira e a Direção Regional de Cultura do Algarve, bem como a Fundação Millwnium BCP, que vai pagar grande parte do restauro.O Castelo de Paderne, classificado como monumento nacional, pertence ao Estado Português, através do Ministério da Cultura. Já há cerca de dez anos foi sujeito a um programa de conservação e restauro, bem como de escavações arqueológicas.Trata-se de um castelo construído em taipa militar, pelos Almoadas, entre os séculos XI e XII, elevando-se no topo de uma colina sobre a ribeira de Quarteira.A fortificação destinava-se a controlar, na última fase da ocupação muçulmana do território hoje português, a antiga estrada romana que cruzava a ribeira de Quarteira por uma ponte a Sudeste. Neste período, o progresso da Reconquista cristã levava à edificação de uma linha defensiva integrada por fortificações de porte médio e de caráter rural na região, das quais esta é um dos melhores exemplos.O castelo viria a ser tomado em 1189, num encarniçado assalto noturno pelas forças de D. Sancho I (1185-1211), com o auxílio de uma esquadra de cruzados ingleses. Esse domínio, entretanto, foi efémero, uma vez que, já em 1191, foi recuperado pelas forças Almóadas sob o comando do califa Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur.A sua posse definiva para a Coroa portuguesa só viria sob o reinado de D. Afonso III (1248-1279), com a conquista pelo Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia, em 1248, iniciando-se o repovoamento da região.
http://www.sulinformacao.pt/2016/07/torre-albarra-do-castelo-de-paderne-vai-ser-restaurada/