quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Portas abertas

O castelo de Paderne encontra-se de portas abertas na primeira e terceira quarta feira de cada mês entre as 10 e as 16 horas.
Venha visitar o castelo.

domingo, 16 de setembro de 2018

Torre albarrã do Castelo de Paderne restaurada com o «processo construtivo histórico» dos almóada




 «Esta senhora tem oito séculos de existência, por isso, ao fim de todo este tempo, tem direito a ter uma mazelas. E a nossa intervenção foi no sentido de as começar a corrigir», explicou Natércia Magalhães, técnica superior da Direção Regional de Cultura do Algarve, ao ministro da Cultura, que hoje visitou as obras de restauro já concluídas da torre albarrã do Castelo de Paderne (Albufeira).
A intervenção, que contou com o apoio «fundamental» da Fundação Millenium BCP, até custou menos que os 132 mil euros orçamentados, já que, em obra, como também explicou Natércia Magalhães, foi decidido manter o atual coroamento da torre, o que evitou fazer o último taipal.
A intervenção acabou, ainda assim, por demorar mais tempo que o previsto, porque foi feita «recorrendo ao processo construtivo histórico que os almóadas usaram», há oito séculos, na construção deste castelo de sólida taipa militar.
Esta é apenas a primeira e menos dispendiosa fase das obras de Conservação e Restauro dos Módulos de Taipa Almóada do Castelo de Paderne, programadas pela Direção Regional de Cultura para este monumento classificado como Imóvel de Interesse Público.

http://www.sulinformacao.pt/2018/09/torre-albarra-do-castelo-de-paderne-ja-esta-restaurada-com-o-processo-construtivo-historico-que-os-almoadas-usaram/






Fotos : José Alberto Ribeiro

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A pesca no Gharb Al - Anadalus



Desde a Antiguidade que a pesca, a salga de peixe e o comercio dos seus derivados tiveram grande importância e desenvolvimento na Península Ibérica.
A pesca e o comercio de peixe constituíram significativo recurso natural durante a permanecia do Islão na Península conforme parece documentar milagre relatado nas "Cantigas de Santa Maria" de Afonso X - o Sábio .
O milagre refere a existência sobre as muralhas do castelo da cidade de Uhsunuba - a actual Cidade de Faro- de uma imagem em pedra da Virgem Maria á qual os cristãos seriam muito devotos. Os mouros decidiram atiram a imagem da Virgem para o mar e a partir desse momento o peixe começou a faltar na redes, como por milagre o peixe so voltou ás redes depois da imagem ter sido retirada do mar e posta no seu lugar original na muralha. Ainda hoje a figura da Virgem esta representada entre duas torres no escudo da cidade.
As actividades piscatórias são muito pouco divulgadas nas fontes árabes, apenas se valorizavam os recursos naturais terrestres tais como a extracção de minério ou bons recursos agrícolas sendo os recursos marinhos esquecidos.
Apenas constituíam excepção os recursos marinhos de valor superior ao do pescado tal como o ambar, o sal e o coral. No caso do sal, tantas vezes relatado por geógrafos e viajantes muçulmanos, foi mesmo criada legislação própria para a sua produção e comercio.





A pesca - Espécies e processos de captura 

A pesca podia ocorrer no mar tanto junto á costa como ao largo assim como em zonas de estuário diferenciando se as artes e técnicas empregues, A pesca no mar profundo e agitado obrigava a utilização de artes e barcos mais resistentes que aqueles usados para pescar em zonas menos fundas e de estuário ou rios e ribeiras.
as artes de pesca durante a permanecia muçulmanos não seriam muito diferentes das usados nos dias de hoje de carácter tradicional e incluía o uso de anzóis, chumbadas para pescar á linha com ou sem cana e pesos de rede . Eram também usados arpões para a pesca do atum assim como da baleia.
As artes de pesca conservam ainda hoje denominações muçulmana tais como enxavega ( ax-xabeqa) e xávega (xabaqa) que indica rede de arrasto para peixes pequenos.
Os chinchorros eram também utilizados na pesca mas como eram redes mais pequenas eram consideradas menos produtivas e nos rios utilizavam-se as tarrafas na pesca artesanal, a sua utilização estende se ate aos dias de hoje.
As espécies de peixes encontradas em contexto arqueológico são ja muito numerosas e as mais antigas foram observadas no castelo de Silves no primeiro nível de ocupação Muçulmana ( sec- VIII / IX) onde se identificou a presença de douradas (spauros auratus).
Em contexto atribuído aos sec X - XI foram encontrados em Santarém, em silos, vestígios de barbo, esturjão, pardete e carpa. Em Albufeira foram encontrados vestígios de raia e safio nos silos escavados na zona histórica.
Depois de salgados e seco o peixe era conservado para consumo ao longo do ano quando o mar não permitia pescar ou poderia ser vendido para as zonas mais interiores entrando assim no mercado comercial. os barcos constituíram estruturas fundamentais para a pesca quer marítima quer fluvial, todavia não se encontram nas fontes árabes muita informação acerca das embarcações utilizadas na pesca.





Conservação e comercio de peixe 

A conservação de peixe era fundamental se não fosse consumido rapidamente, servindo assim para o seu consumo a médio ou longo prazo e ate mesmo para a sua comercialização . A conservação só era possível depois de se retirar as vísceras, ser salgados e seco ao sol para que não se estragasse rentabilizando assim o trabalho do pescador e dos intermediários. No Algarve ate aos século passado era comum o peixe ser tradicionalmente conservado em salmoura, seco ou fumado, se a conserva fosse para poucos dias utilizava se azeite, limão ou vinagre, era o chamado peixe de escabeche.
O comercio de peixe encontrava se literalmente documentado entre a ilha de Saltés, Huelva, e Sevilha e entre Portugal e outros pontos da Península. A venda de peixe realizada por Muçulmanos, Cristãos e Judeus foi referida em carta de foral concedido por Afonso VII no ano de 1180.


O peixe na alimentação 

O peixe seria consumido de diversos modos e entre eles cozido, assado, frito e de escabeche. Segundo os dietistas Muçulmanos a melhor maneira de comer o peixe era sob a forma de  tafāyā e grelhado no caso dos peixes serem pequenos como a sardinha. Tal como a carne , o peixe deveria ser colocado nas brasas ou num espeto ou mesmo numa grelha. Outro método que se utilizava era o peixe numa telha e coberto com sal e posto nas brasas, este método é usado ainda em Portugal na zona do Ribatejo.
Muito embora se consumisse uma grande quantidade de peixe, é possível que o seu consumo fosse comum junto das populações com menores recursos económicos residentes próximo do mar ou de rios que obtinham assim de forma fácil este tipo de proteína.

Fonte - A pesca no sudoeste do Gharb Al-Andalus ( Gomes)










terça-feira, 31 de julho de 2018

Vasilhas de transporte - Cantaro - Aljara الجرة

O cântaro é uma vasilha de forma fechada e de tamanho médio ou grande com altura superior a 20 cms. Destina se  ao transporte ou armazenamento de liquido , principalmente agua.
O cântaro caracteriza-se por ter um corpo de forma oval com gargalo de forma bem definida e relativamente estreito para evitar o derramamento dos líquidos, é ainda composto por duas asas para facilitar a tarefa de manuseamento e de transporte.
O nome cântaro vem do grego cantharus e designa um recipiente que seja capaz de conter um almude enquanto que a enfusa apenas leva um quarto de almude.
A sua principal função é a de transportar líquidos e a sua forma oval evita assim que o liquido que se transporta não se entorne, as suas dimensões não devem ser excessivas para assim permitir o seu transporte.
A tarefa de transportar agua deveria ser diária e constituía um ritual quotidiano na vida da população, era uma tarefa feita por mulheres ou por adolescentes.
No caso de Mértola não existem ate aos dias de hoje um numero certo de fontes, cisternas ou mesmo  poços intramuros em época Islâmica, no entanto pensa-se que existiriam poços conectados por túneis com o rio Guadiana como os que existiam na zona do antigo porto  e em pontos baixos do interior da cidade.





Foto - Jose Alberto Ribeiro
Adaptação de texto - Ceramica Islamica de Mertola
Tradução / Translation - عبدالناصر محمود ابواحمد ( Thanks once more)

عبدالناصر محمود ابواحمد

عبدالناصر محمود ابواحمدعبدالناصر محمود ابواحمد
عبدالناصر محمود ابواحمد
عبدالناصر محمود ابواحمد
عبدالناصر محمود ابواحمد

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Vasilhas de armazenamento e transporte - As talhas - Albarnia - البرنية



O grupo de vasilhas de armazenamento e transporte é composto por vários tipos de recipientes fechados  e alguns objectos de carácter complementar que estão relacionados com eles.



A talha

A talha define se morfologicamente como uma forma fechada de grandes dimensões com a boca e pescoço bastante largos de formato oval, podendo ter asas ou não.
A talha destina-se a armazenar líquidos ou sólidos ( agua, azeite, sementes) e devido ao seu peso e tamanho eram normalmente mantidas num lugar da casa estável e de fácil acesso, servindo as suas asas apenas para rodar ou arrastar, nunca para levantar a talha.
Estas peças de cerâmica têm características técnicas que se adequam principalmente ao armazenamento de agua, mantendo a assim sempre fresca, as sua paredes sendo porosas  actuavam como filtro.




O suporte

O suporte da talha é um objecto de grande estabilidade mantendo assim a talha direita e tem geralmente forma cilíndrica alta com um prato raso que tem a função de recolher a agua filtrada que transpira pelas paredes porosas da talha.
A sua função centrava-se principalmente em três necessidades :
   - Recolher a agua que transpirava pelas paredes da talha
   - Levantar a peça do chão evitando assim humidade em casa
   - Estabilizar a talha em solos irregulares




A tampa

As tampas das talhas são discos planos e grossos em cerâmica, segundo alguns autores as tampas poderiam ser também de madeira ( como são algumas que ainda estão em uso em regiões como o Algarve ou Alentejo ). Estas peças em madeira teriam a vantagem de não se partirem tão facilmente como as de cerâmica

Adaptação de texto - Cerâmica Islâmica de Mértola
Fotos - José Alberto Ribeiro
Tradução/Translation- Thanks once more

عبدالناصر محمود ابواحمد



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terça-feira, 17 de abril de 2018

Vasilhas de armazenamento e transporte - O cantil ( قنينة ـــ - qanina )

O grupo de vasilhas de armazenamento e transporte é composto por vários tipos de recipientes fechados e alguns objectos de carácter complementar que estão relacionados com eles .




A sua função de transportar líquidos ou sólidos impõe a condição de se tratarem sempre de recipientes fechados para que não saiam ou entornem o seu conteúdo.
O cantil é uma vasilha que se apresenta fechada e destina-se a transportar pequenas quantidades de agua e seria sobretudo utilizada em deslocações. O cantil alem de ser fechado tem também a boca e o gargalo estreitos afim de evitar derrames e entrada de pó, a porosidade das paredes mantinha a agua fresca.




O cantil não foi a única forma de transportar agua em pequenas quantidades, foram utilizados outros materiais tais como o couro, a madeira ou mesmo a casca da cabaça.
O cantil apareceu no Gharb na época Almoada e ate hoje foi encontrado apenas em pequenas quantidades, sendo curioso que o cantil foi utilizado ate aos dias de hoje
por pastores.

Cerâmica Islâmica de Mértola - Adaptação de texto
Fotos - José Alberto Ribeiro
Obrigado
عبدالناصر محمود ابواحمد

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عبدالناصر محمود ابواحمد
عبدالناصر محمود ابواحمد
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