segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Taipa militar Almoada



A construção de muralhas considerou-se desde a antiguidade um capitulo diferenciado no âmbito da historia da disciplina de arquitectura. A dinastia Almoada foi eximia na construção de muralhas em taipa militar, quando observamos os alçados de uma muralha de taipa como a do castelo de Paderne são perspectiveis algumas das marcas exclusivas deste processo construtivo que sem dificuldade são detectáveis devido á falta de rebocos.
As características principais de uma muralha Almoada são :




1 - A utilização de cofragem e a não utilização de rebocos. A taipa militar á semelhança  da taipa civil é uma técnica construtiva que se faz por módulos que correspondem á  utilização de taipais e difere da taipa civil pela ausência de rebocos que reforcem a sua  protecção e pela percentagem da cal utilizada. Uma vez terminado um modulo de taipa  retirava se o taipal para acrescentar de novo um modulo á fiada que se pretendia executar.  Nas fiadas superiores as uniões dos taipais realizavam se desencontradas das uniões das  fiadas inferiores.

2 - Uma métrica especifica, os sinais deixados pela uniformidade métrica da altura das        sucessivas fiadas tiveram no período Almoada uma métrica especifica, essa métrica tinha  por base o duplo côvado ma`muni que corresponde a cerca de 85 de altura. Poderá aferir  essa medida em quaisquer das alturas das cofragens da muralha do castelo de Paderne.  Para o comprimento não havia nenhuma medida padrão aproveitando se assim a medida  máxima da tábua.

3 - Os vestígios de agulhas, as agulhas eram réguas de madeira que atravessam na      horizontal o muro e serviam de apoio aos taipais e designam se por agulhas inferiores ou    superiores. Na construção de grandes espessuras como uma muralha que podiam atingir 3  metros eram utilizadas meias agulhas que eram mais fáceis de manobrar e  economicamente mais rentáveis pelo dispêndio de material. As agulhas foram ficando  durante séculos no interior da muralha e com o tempo deram origem ás filas sequenciais  de orifícios que são imagem de marca das muralhas de taipa do periodo Almoada. pode  se concluir que cofragem ou taipal é a grande responsável pela imagem destas      construções. Por cada modulo executado guarda em si o negativo dos elementos que  compuseram a cofragem e de todos os elementos o que mais ressaltam é o negativo das  agulhas perfiladas em linhas horizontais

4 -  Simulação de juntas de grandes silhares, os alçados eram revestidos na sua totalidade  por faixas de reboco branco com cerca de 10 cms e que se cruzavam aparentando serem  juntas de grandes silhares, essas faixas muito características do período Almoada,  aparentado uma técnica próxima do estuque. Os viajantes Muçulmanos referem estas  muralhas de terra especificas do Ocidente e decoradas com ilusão óptica tomavam nas  com frequência por alvenaria de pedra. Ainda hoje são visíveis na face exterior de  algumas muralhas califais Hispano-Mouriscas que sobreviveram ao passar dos séculos.
 No Algarve temos exemplos desses falsos silhares precisamente no castelo de  Paderne assim como no castelo de Silves e perderam se os do castelo de Salir graças a uma incorrecta intervenção. No  castelo de  Paderne ainda hoje podem ser vistas na torre albarrã e no exterior do canto  nordeste do castelo.
      




Adaptação de texto de Dra. Natercia Magalhães
Fotos - José Alberto Ribeiro
















quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Castelo de Paderne recebe recriação da antiga romaria de Nossa Senhora do Castelo




O Castelo de Paderne vai acolher uma recriação da antiga romaria de Nossa Senhora do Castelo, no próximo domingo, a partir das 14h00.
A iniciativa «A Fortaleza da Fé» pretende «contribuir para a valorização do património local, das tradições e crenças da população de Paderne e da sua relação com o monumento, proporcionando também a visita ao monumento pelo público em geral», segundo a Direção Regional de Cultura do Algarve.
A recriação da Romaria de Nossa Senhora do Castelo começa com uma procissão, que parte das muralhas do Castelo de Paderne, seguida de missa cantada e tocada na Ermida de Nossa Senhora da Assunção, no interior do Castelo e de  um concerto pela Banda Filarmónica de Paderne. No final há um beberete.
A iniciativa, que também comemora o Dia Mundial da Música (1 de Outubro), contará com as atuações da Bandinha Popular, Saxy-Band, Grupo Coral e Banda Filarmónica.
Com organização, produção e realização da Sociedade Musical e Recreio de Paderne, esta iniciativa tem o apoio da Câmara Municipal de Albufeira e da Junta de Freguesia de Paderne. «O Castelo da Fé» decorre no âmbito do programa da Direção Regional de Cultura do Algarve DiVaM 2016 – «O Espírito do Lugar», desenvolvido em parceria com agentes culturais da região.

http://www.sulinformacao.pt/2016/09/castelo-de-paderne-recriacao-da-antiga-romaria-de-nossa-senhora-do-castelo/

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Torre Albarrã do Castelo de Paderne vai ser restaurada



A Torre Albarrã do Castelo de Paderne vai ser restaurada. Para dar início ao processo, na sexta-feira, 29 de Julho, às 15h30, vai ser assinado, no salão nobre da Câmara de Albufeira, o Protocolo de Colaboração para Valorização, Restauro e Conservação dessa parte do monumento nacional.
O protocolo envolve a Câmara de Albufeira e a Direção Regional de Cultura do Algarve, bem como a Fundação Millwnium BCP, que vai pagar grande parte do restauro.O Castelo de Paderne, classificado como monumento nacional, pertence ao Estado Português, através do Ministério da Cultura. Já há cerca de dez anos foi sujeito a um programa de conservação e restauro, bem como de escavações arqueológicas.Trata-se de um castelo construído em taipa militar, pelos Almoadas, entre os séculos XI e XII, elevando-se no topo de uma colina sobre a ribeira de Quarteira.A fortificação destinava-se a controlar, na última fase da ocupação muçulmana do território hoje português, a antiga estrada romana que cruzava a ribeira de Quarteira por uma ponte a Sudeste. Neste período, o progresso da Reconquista cristã levava à edificação de uma linha defensiva integrada por fortificações de porte médio e de caráter rural na região, das quais esta é um dos melhores exemplos.O castelo viria a ser tomado em 1189, num encarniçado assalto noturno pelas forças de D. Sancho I (1185-1211), com o auxílio de uma esquadra de cruzados ingleses. Esse domínio, entretanto, foi efémero, uma vez que, já em 1191, foi recuperado pelas forças Almóadas sob o comando do califa Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur.A sua posse definiva para a Coroa portuguesa só viria sob o reinado de D. Afonso III (1248-1279), com a conquista pelo Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia, em 1248, iniciando-se o repovoamento da região.
http://www.sulinformacao.pt/2016/07/torre-albarra-do-castelo-de-paderne-vai-ser-restaurada/

CASTELO DE PADERNE DE PORTAS ABERTAS

Á descoberta do Castelo de Paderne» é o nome do programa que permitirá conhecer melhor, por dentro e por fora, o património do período almóada, situado numa altiva colina, daquela freguesia do concelho de Albufeira, com a Ribeira de Quarteira ao lado. Até ao final do mês de Agosto, as quartas-feiras ficam destinadas à visita deste espaço. As portas abrem-se às 10 e encerram às 18 horas, sendo uma oportunidade para conhecer um dos mais interessantes monumentos da História da região e que, por razões várias, esteve fechado à população. Esta iniciativa é promovida pela Câmara Municipal de Albufeira e Direcção Regional da Cultura do Algarve.


http://barlavento.pt/cultura/castelo-de-paderne-de-portas-abertas


quinta-feira, 21 de julho de 2016

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Amor proibido inspirou viagem ao passado do Castelo de Pderne




s histórias de amor proibido serão bem mais antigas que as milenares pedras do Castelo de Paderne, tão velhas como as sociedades humanas.

Este sábado, mais do que imaginar, quem visitou este monumento do concelho de Albufeira pôde testemunhar uma dessas histórias, contada pela Amarelarte na performance/intervenção teatral «O Espírito do Passado», realizada no âmbito de mais uma edição do programa DiVaM da Direção Regional de Cultura do Algarve.

Foram muitas as pessoas que subiram a encosta para chegar ao Castelo de Paderne e assistir a este espetáculo. Lá em cima, além do monumento e da vista, tinham à espera deles uma “família” de muçulmanos e uma trama de amor que envolvia uma jovem árabe e um moço cristão.

A história, como muitas das lendas inspiradas no amor proibido, não acaba bem para as personagens. Mas, neste caso, terminou da melhor forma para o público, que, além da performance, teve a oportunidade de experimentar um lanche servido pela “família” muçulmana, num tranquilo e solarengo final de tarde algarvio. E nem sequer faltou a música, proporcionada pela harpista e cantora Helena Madeira, para tornar o ambiente ainda mais especial.

«O Espírito do Passado» é uma criação da Amarelarte que, embora seja fictícia, se inspira na pesquisa histórica. O espetáculo contou com os atores Luis Nogueira, Helena Madeira e Nicole Lissy. Os poemas de Domingos Cerejo e a fotografia e imagem ficaram a cargo de Katia Viola.


http://www.sulinformacao.pt/2016/06/divam-amor-proibido-inspirou-viagem-ao-passado-do-castelo-paderne/

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O vinho no Al andalus



                                        



A noite lavava as sombras
Das suas palpebras com a aurora
Ligeira corria a brisa 
E bebemos! Um vinho velho cor de rubi
Denso de aroma e corpo suave
Al-Mutamid o Rei poeta
A importância do vinho no mundo árabe é salientada pelas referencias no Corão, a Sura V é disso um exemplo.No Al-Andalus com a chegada dos Omiadas , que foram a primeira dinastia na península, mostraram-se bastante tolerantes para com os povos conquistados, o que desagradava aos mais fundamentalistas, pois no seu entender , não respeitavam as normas religiosas. Em época Omiada em todos os níveis sociais consumia-se vinho sendo Córdova a cidade que tinha o monopólio da sua exploração. Efectivamente, no âmbito mediterrâneo, formado pela cultura greco-latina, beber vinho é tão antigo como a mesma civilização que representa, portanto a sua abolição seria algo difícil.O habito de consumir vinho estava bastante enraizado na sociedade Andalusina e como era proibido pela religião escandalizava os mais religiosos os quais tentavam convencer os sultões no sentido de abolir o seu cultivo e o seu consumo. O próprio emir Alhakem II que era muito devoto seguiu o conselho dos religiosos no sentido de arrancar os vinhedos em Córdova mas a sua intenção não passou disso mesmo devido aos protestos quer do povo quer da própria aristocracia. No entanto alguns Reis das taifas exageravam no consumo de vinho tendo sido mais tarde criada a distinção entre vinho autorizado e vinho proibido. 
Fontes - https://magicalgranada.com/2016/01/08/el-consumo-de-vino-en-al-andalus/
             http://www.vinetowinecircle.com/historia/vestigio-romano/
            http://clio.rediris.es/clionet/articulos/al_vino.htm#El consumo del vino

sábado, 4 de junho de 2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Mertola



Procedência - Alcáçova de Mértola

Cronologia - Segunda metade do século XII / primeira metade do século XIII

Morfologia - Bojo globular, asa vertical de secção triangular com base convexa e pé anelar diagonal.                         Pasta cor exterior bege, cor do centro em bege e cor interior bege.

Elementos não plásticos - Xistos médios.

Técnica de fabrico - Torno rápido com cozedura oxidante . O acabamento exterior é vidrado.

Ornamentação - Técnica interior com vidrado monocromo.Cor interior melada .Tecnica exterior com incisão e vidrado monocromo de cor verde.

Dimensões - Diametro da base de 90 mm e com largura de 215 mm

Bibliografia - TORRES et al, 1991; GOMEZ 2006



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Cerâmica Islâmica de Mértola


Procedência - Alcáçova de Mértola / Criptoportico

Cronologia - século XII

Morfologia - Boca circular, bordo arredondado levemente envasado, bojo semiesférico, base convexo com pé anelar diagonal. Pasta cor exterior bege, cor central em bege, interior igualmente em bege.

Elementos não plásticos - Xisto, calcário.

Técnica de fabrico - Torno rápido. Cozedura: oxidante  com acabamento interior e exterior vidrado.

Ornamentação - Técnica interior em corda seca total, cor branca, verde, melada e preta, com motivo vegetalista e epigráfico. Motivo central de flor de lotús rodeado de friso epigrafico onde ainda é legível  "al-yumm"  complementada com pequenos motivos fitomorficos e decoração circular serpentiforme . Técnica exterior em vidrado monocromo, cor exterior melada.

Dimensões - Diâmetro da boca  265mm, diâmetro da base 100mm largura 265mm,

Bibliografia - TORRES, 1986; GOMEZ, 2002; GOMEZ, 2006

Cerâmica Islâmica de Mértola / Museu de Mértola