quarta-feira, 8 de junho de 2016

O vinho no Al andalus



                                        



A noite lavava as sombras
Das suas palpebras com a aurora
Ligeira corria a brisa 
E bebemos! Um vinho velho cor de rubi
Denso de aroma e corpo suave
Al-Mutamid o Rei poeta
A importância do vinho no mundo árabe é salientada pelas referencias no Corão, a Sura V é disso um exemplo.No Al-Andalus com a chegada dos Omiadas , que foram a primeira dinastia na península, mostraram-se bastante tolerantes para com os povos conquistados, o que desagradava aos mais fundamentalistas, pois no seu entender , não respeitavam as normas religiosas. Em época Omiada em todos os níveis sociais consumia-se vinho sendo Córdova a cidade que tinha o monopólio da sua exploração. Efectivamente, no âmbito mediterrâneo, formado pela cultura greco-latina, beber vinho é tão antigo como a mesma civilização que representa, portanto a sua abolição seria algo difícil.O habito de consumir vinho estava bastante enraizado na sociedade Andalusina e como era proibido pela religião escandalizava os mais religiosos os quais tentavam convencer os sultões no sentido de abolir o seu cultivo e o seu consumo. O próprio emir Alhakem II que era muito devoto seguiu o conselho dos religiosos no sentido de arrancar os vinhedos em Córdova mas a sua intenção não passou disso mesmo devido aos protestos quer do povo quer da própria aristocracia. No entanto alguns Reis das taifas exageravam no consumo de vinho tendo sido mais tarde criada a distinção entre vinho autorizado e vinho proibido. 
Fontes - https://magicalgranada.com/2016/01/08/el-consumo-de-vino-en-al-andalus/
             http://www.vinetowinecircle.com/historia/vestigio-romano/
            http://clio.rediris.es/clionet/articulos/al_vino.htm#El consumo del vino

sábado, 4 de junho de 2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Mertola



Procedência - Alcáçova de Mértola

Cronologia - Segunda metade do século XII / primeira metade do século XIII

Morfologia - Bojo globular, asa vertical de secção triangular com base convexa e pé anelar diagonal.                         Pasta cor exterior bege, cor do centro em bege e cor interior bege.

Elementos não plásticos - Xistos médios.

Técnica de fabrico - Torno rápido com cozedura oxidante . O acabamento exterior é vidrado.

Ornamentação - Técnica interior com vidrado monocromo.Cor interior melada .Tecnica exterior com incisão e vidrado monocromo de cor verde.

Dimensões - Diametro da base de 90 mm e com largura de 215 mm

Bibliografia - TORRES et al, 1991; GOMEZ 2006



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Cerâmica Islâmica de Mértola


Procedência - Alcáçova de Mértola / Criptoportico

Cronologia - século XII

Morfologia - Boca circular, bordo arredondado levemente envasado, bojo semiesférico, base convexo com pé anelar diagonal. Pasta cor exterior bege, cor central em bege, interior igualmente em bege.

Elementos não plásticos - Xisto, calcário.

Técnica de fabrico - Torno rápido. Cozedura: oxidante  com acabamento interior e exterior vidrado.

Ornamentação - Técnica interior em corda seca total, cor branca, verde, melada e preta, com motivo vegetalista e epigráfico. Motivo central de flor de lotús rodeado de friso epigrafico onde ainda é legível  "al-yumm"  complementada com pequenos motivos fitomorficos e decoração circular serpentiforme . Técnica exterior em vidrado monocromo, cor exterior melada.

Dimensões - Diâmetro da boca  265mm, diâmetro da base 100mm largura 265mm,

Bibliografia - TORRES, 1986; GOMEZ, 2002; GOMEZ, 2006

Cerâmica Islâmica de Mértola / Museu de Mértola


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Castelo de Alcoutim - Cantarinha decorada a corda seca parcial




Castelo de Alcoutim
Núcleo Museológico do Castelo
Período Islâmico / sec - XI
Cantarinha decorada a corda seca parcial

domingo, 17 de janeiro de 2016

Exposição de jogos de tabuleiro Islâmicos no castelo de Alcoutim


No castelo de Alcoutim está patente uma exposição com a maior colecção de jogos de tabuleiro Islâmicos que foram encontrados num único sitio arqueológico. Esta exposição reúne os jogos que foram encontrados aquando das escavações levadas a cabo pela equipa da Dra. Helena Catarino no castelo velho de Alcoutim.
O castelo velho de Alcoutim é uma fortificação do período Omiada (sec VIII / IX), e as suas ruínas encontram se num morro sobranceiro ao rio Guadiana a cerca de um quilometro da actual vila de Alcoutim . Estes jogos são uma forma do exemplo lúdico do ser humano que desde tempos imemoriais os pratica e que tanto cristãos e islâmicos nos legaram em tradição.



Jogo do Soldado
tabuleiro de jogo em xisto de forma irregular com a incisão  de seis linhas verticais por três linhas horizontais 


Jogo da Tabula
Tabuleiro de jogo em xisto de forma rectangular incompleto, com incisão de quatorze linhas verticais e três linhas verticais definindo duas colunas de quatorze espaços rectangulares.

Jogo do Moinho
Tabuleiro de jogo em xisto de forma rectangular irregular com incisão de quatro linhas em ângulo recto  que formavam quatro quadrados concêntricos divididos a meio por uma linha horizontal que não atravessa os quadrados centrais




Jogo do Alquerque
Tabuleiro de jogo em xisto com formas simétricas e assimétricas, é um tipo de jogo que permite jogar em todas as direcções  e a sua semelhança com o jogo das damas levou os investigadores a a pensar ser este o seu antecessor 



Jogo do tipo Mancala III
Tabuleiro de jogo em xisto de forma rectangular irregular com três linhas horizontais formadas por treze a quinze orifícios




sábado, 5 de dezembro de 2015

Jardins na arquitectura urbana do Gharb



Tal como acontece nas outras regiões do Al-Andalus, a arquitectura civil do Gharb apresenta espaços com áreas interiores abertas de carácter multi funcional com vegetação e passeios, muitas vezes são acompanhados de agua ou fontes por onde circula a agua em pequenos canais, são comummente chamados pátios com jardim ou simplesmente jardins.
Estes espaços ate agora são encontrados em edificações tardias no Gharb, nomeadamente Almoravidas e Almoadas, sendo os exemplos mais representativos em Mértola e Silves embora tinham sido identificados alguns casos de pátios com jardins em Lisboa.
Os pátios, espaços abertos interiores, são conhecidos nas edificações Fenícias ou ou de orientação oriental desde o primeiro milénio AC no sul de Portugal, constituindo assim uma tradição mediterrânea que se renovaria com a conquista Romana.
Alguns destes espaços transformaram se em requintados jardins com vegetação variada, lagos com jogos de repuxos e com ricos revestimentos de estuque decorado com mármore ou mosaico e não era raro encontrar nestes espaços esculturas de divindades relacionadas com a natureza. Trtavam se de locais agradáveis e de prazer cuja perfeição e beleza provocaram a contemplação e ajudaram os homens  ao sagrado.
Os jardins Islâmicos no espaço central da habitação que é o pátio com árvores e agua constituíram igualmente construções ideais possuindo rica simbologia e segundo alguns autores seria uma aproximação ao conceito Coranico do paraíso.
Os desenhos das plantas dos jardins mostram variabilidade embora correspondam sempre a espaços poligonais de quatro lados podendo ser rectangulares , quadrados ou mesmo trapezoidais , dependendo da morfologia das edificações em que se encontram.  .
Tal como acontece em relação ás plantas dos pátios com jardim, também traduz a orientação das casas que os contêm.
Embora alguns dos jardins conhecidos sejam de orientação nascente-poente com forte conotação sócio-religiosa no Islão, existem alguns que fogem a essa pratica como é o caso de duas casas na medina de Mértola, orientadas a nordeste-sudeste.
O especial significado  no contexto habitacional urbano do Gharb conduziu quase sempre a que a sua contrição fosse cuidada, como nela fossem aplicados materiais raros e dispendiosos.
Os canteiros dos jardins eram definidos por boa alvenaria de pedra ligada por uma massa de cal e areia, os passeios eram frequentemente lageados constituindo frequente o único espaço na habitação com tais características.O piso dos jardins era levemente inclinado para o centro do pátio afim de drenarem as aguas pluviais através de ralos.
Os patios com jardins do Gharb eram espaços fechados, delimitados e protegidos pelas paredes dos compartimentos que os rodeavam e constituíam também lugares de intimidade onde se podia gozar de sombra, humidade e frescura pela agua e plantas que neles existiam ajudando assim a amenizar os verões escaldante e prolongadas estiagens.
Plantas aromáticas e frutos amadurecidos exalavam odores que perfumavam o jardins e as divisões mais próximas da casa sendo algumas usadas na condimentação dos alimentos.
Os jardins residenciais tiveram assim a função de hortos, fornecendo não só plantas de uso culinário mas também especiarias e de carácter medicinal, algumas delas seriam usadas em infusões tão apreciadas em contexto islâmico.
A flora dos jardins eram essencialmente plantas domesticadas sendo algumas silvestres de pequeno ou médio porte e a sua ornamentação seria cuidada tomando assim parte integrante da habitação.
A gramática fitomórfica teve importância incontornável na decoração vascular de todos os periodos relacionados com a presença islâmica no Gharb através da pintura, incisão, estampilhagem e da coroplastia ou associados duas ou mais técnicas como se fez sentir na ornamentação de carácter simbólico de artefactos e na arquitectura.

Adaptação de texto de Mário Varela Gomes

Foto Google

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Cerâmica vidrada policromada simples



Desde a época Califal que se encontra no Al-Andaluz cerâmica ornamentada com vidrado policromado em varias cores, embora a que mais se destacou foi sem duvida a combinação de branco,verde e roxo, sendo conhecida por " verde e manganês".
Esta foi a técnica mais usada no período Omiada e alguns autores chegam a designar de " cerâmica Califal".
As primeiras produções desta técnica têm a sua origem na China no século VII, tratavam-se de peças ornamentadas com cobre e manganês e e que escorriam livremente pela peça ( Watson 1984), dai passa ao Médio Oriente e estende-se pelo mundo Islâmico e são reproduzidos seguindo a cor e textura dos originais Chineses.
A sua técnica de fabrico consistia em aplicar uma demão em branco sobre a peça modelada e desidratada passando depois por uma primeira cozedura no forno, a seguir desenhavam-se então os motivos ornamentais com o oxido de manganês e cobre, a seguir toda a peça era revestida por uma cobertura à base de chumbo transparente e era então sujeita a uma segunda cozedura.
No reverso da peça era então aplicada uma cobertura à base de chumbo com uma pequena percentagem de óxidos coloridos que poderiam ser ferro ou mesmo cobre, por vezes era aplicada a mesma cobertura que na parte principal da peça. No caso concreto das cerâmicas encontradas em Mértola os motivos ornamentais encontram se sempre no interior ou no exterior das peças quando estas apresentam formas fechadas.
Estas técnicas podem ser ainda hoje vistas em oficinas de mestres de cerâmica  no Baixo Alentejo na zona de Reguengos de Monsaraz.

Adaptação de texto de Susana Martinez
Foto - José Alberto Ribeiro