sábado, 4 de junho de 2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Mertola



Procedência - Alcáçova de Mértola

Cronologia - Segunda metade do século XII / primeira metade do século XIII

Morfologia - Bojo globular, asa vertical de secção triangular com base convexa e pé anelar diagonal.                         Pasta cor exterior bege, cor do centro em bege e cor interior bege.

Elementos não plásticos - Xistos médios.

Técnica de fabrico - Torno rápido com cozedura oxidante . O acabamento exterior é vidrado.

Ornamentação - Técnica interior com vidrado monocromo.Cor interior melada .Tecnica exterior com incisão e vidrado monocromo de cor verde.

Dimensões - Diametro da base de 90 mm e com largura de 215 mm

Bibliografia - TORRES et al, 1991; GOMEZ 2006



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Cerâmica Islâmica de Mértola


Procedência - Alcáçova de Mértola / Criptoportico

Cronologia - século XII

Morfologia - Boca circular, bordo arredondado levemente envasado, bojo semiesférico, base convexo com pé anelar diagonal. Pasta cor exterior bege, cor central em bege, interior igualmente em bege.

Elementos não plásticos - Xisto, calcário.

Técnica de fabrico - Torno rápido. Cozedura: oxidante  com acabamento interior e exterior vidrado.

Ornamentação - Técnica interior em corda seca total, cor branca, verde, melada e preta, com motivo vegetalista e epigráfico. Motivo central de flor de lotús rodeado de friso epigrafico onde ainda é legível  "al-yumm"  complementada com pequenos motivos fitomorficos e decoração circular serpentiforme . Técnica exterior em vidrado monocromo, cor exterior melada.

Dimensões - Diâmetro da boca  265mm, diâmetro da base 100mm largura 265mm,

Bibliografia - TORRES, 1986; GOMEZ, 2002; GOMEZ, 2006

Cerâmica Islâmica de Mértola / Museu de Mértola


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Castelo de Alcoutim - Cantarinha decorada a corda seca parcial




Castelo de Alcoutim
Núcleo Museológico do Castelo
Período Islâmico / sec - XI
Cantarinha decorada a corda seca parcial

domingo, 17 de janeiro de 2016

Exposição de jogos de tabuleiro Islâmicos no castelo de Alcoutim


No castelo de Alcoutim está patente uma exposição com a maior colecção de jogos de tabuleiro Islâmicos que foram encontrados num único sitio arqueológico. Esta exposição reúne os jogos que foram encontrados aquando das escavações levadas a cabo pela equipa da Dra. Helena Catarino no castelo velho de Alcoutim.
O castelo velho de Alcoutim é uma fortificação do período Omiada (sec VIII / IX), e as suas ruínas encontram se num morro sobranceiro ao rio Guadiana a cerca de um quilometro da actual vila de Alcoutim . Estes jogos são uma forma do exemplo lúdico do ser humano que desde tempos imemoriais os pratica e que tanto cristãos e islâmicos nos legaram em tradição.



Jogo do Soldado
tabuleiro de jogo em xisto de forma irregular com a incisão  de seis linhas verticais por três linhas horizontais 


Jogo da Tabula
Tabuleiro de jogo em xisto de forma rectangular incompleto, com incisão de quatorze linhas verticais e três linhas verticais definindo duas colunas de quatorze espaços rectangulares.

Jogo do Moinho
Tabuleiro de jogo em xisto de forma rectangular irregular com incisão de quatro linhas em ângulo recto  que formavam quatro quadrados concêntricos divididos a meio por uma linha horizontal que não atravessa os quadrados centrais




Jogo do Alquerque
Tabuleiro de jogo em xisto com formas simétricas e assimétricas, é um tipo de jogo que permite jogar em todas as direcções  e a sua semelhança com o jogo das damas levou os investigadores a a pensar ser este o seu antecessor 



Jogo do tipo Mancala III
Tabuleiro de jogo em xisto de forma rectangular irregular com três linhas horizontais formadas por treze a quinze orifícios




sábado, 5 de dezembro de 2015

Jardins na arquitectura urbana do Gharb



Tal como acontece nas outras regiões do Al-Andalus, a arquitectura civil do Gharb apresenta espaços com áreas interiores abertas de carácter multi funcional com vegetação e passeios, muitas vezes são acompanhados de agua ou fontes por onde circula a agua em pequenos canais, são comummente chamados pátios com jardim ou simplesmente jardins.
Estes espaços ate agora são encontrados em edificações tardias no Gharb, nomeadamente Almoravidas e Almoadas, sendo os exemplos mais representativos em Mértola e Silves embora tinham sido identificados alguns casos de pátios com jardins em Lisboa.
Os pátios, espaços abertos interiores, são conhecidos nas edificações Fenícias ou ou de orientação oriental desde o primeiro milénio AC no sul de Portugal, constituindo assim uma tradição mediterrânea que se renovaria com a conquista Romana.
Alguns destes espaços transformaram se em requintados jardins com vegetação variada, lagos com jogos de repuxos e com ricos revestimentos de estuque decorado com mármore ou mosaico e não era raro encontrar nestes espaços esculturas de divindades relacionadas com a natureza. Trtavam se de locais agradáveis e de prazer cuja perfeição e beleza provocaram a contemplação e ajudaram os homens  ao sagrado.
Os jardins Islâmicos no espaço central da habitação que é o pátio com árvores e agua constituíram igualmente construções ideais possuindo rica simbologia e segundo alguns autores seria uma aproximação ao conceito Coranico do paraíso.
Os desenhos das plantas dos jardins mostram variabilidade embora correspondam sempre a espaços poligonais de quatro lados podendo ser rectangulares , quadrados ou mesmo trapezoidais , dependendo da morfologia das edificações em que se encontram.  .
Tal como acontece em relação ás plantas dos pátios com jardim, também traduz a orientação das casas que os contêm.
Embora alguns dos jardins conhecidos sejam de orientação nascente-poente com forte conotação sócio-religiosa no Islão, existem alguns que fogem a essa pratica como é o caso de duas casas na medina de Mértola, orientadas a nordeste-sudeste.
O especial significado  no contexto habitacional urbano do Gharb conduziu quase sempre a que a sua contrição fosse cuidada, como nela fossem aplicados materiais raros e dispendiosos.
Os canteiros dos jardins eram definidos por boa alvenaria de pedra ligada por uma massa de cal e areia, os passeios eram frequentemente lageados constituindo frequente o único espaço na habitação com tais características.O piso dos jardins era levemente inclinado para o centro do pátio afim de drenarem as aguas pluviais através de ralos.
Os patios com jardins do Gharb eram espaços fechados, delimitados e protegidos pelas paredes dos compartimentos que os rodeavam e constituíam também lugares de intimidade onde se podia gozar de sombra, humidade e frescura pela agua e plantas que neles existiam ajudando assim a amenizar os verões escaldante e prolongadas estiagens.
Plantas aromáticas e frutos amadurecidos exalavam odores que perfumavam o jardins e as divisões mais próximas da casa sendo algumas usadas na condimentação dos alimentos.
Os jardins residenciais tiveram assim a função de hortos, fornecendo não só plantas de uso culinário mas também especiarias e de carácter medicinal, algumas delas seriam usadas em infusões tão apreciadas em contexto islâmico.
A flora dos jardins eram essencialmente plantas domesticadas sendo algumas silvestres de pequeno ou médio porte e a sua ornamentação seria cuidada tomando assim parte integrante da habitação.
A gramática fitomórfica teve importância incontornável na decoração vascular de todos os periodos relacionados com a presença islâmica no Gharb através da pintura, incisão, estampilhagem e da coroplastia ou associados duas ou mais técnicas como se fez sentir na ornamentação de carácter simbólico de artefactos e na arquitectura.

Adaptação de texto de Mário Varela Gomes

Foto Google

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Cerâmica vidrada policromada simples



Desde a época Califal que se encontra no Al-Andaluz cerâmica ornamentada com vidrado policromado em varias cores, embora a que mais se destacou foi sem duvida a combinação de branco,verde e roxo, sendo conhecida por " verde e manganês".
Esta foi a técnica mais usada no período Omiada e alguns autores chegam a designar de " cerâmica Califal".
As primeiras produções desta técnica têm a sua origem na China no século VII, tratavam-se de peças ornamentadas com cobre e manganês e e que escorriam livremente pela peça ( Watson 1984), dai passa ao Médio Oriente e estende-se pelo mundo Islâmico e são reproduzidos seguindo a cor e textura dos originais Chineses.
A sua técnica de fabrico consistia em aplicar uma demão em branco sobre a peça modelada e desidratada passando depois por uma primeira cozedura no forno, a seguir desenhavam-se então os motivos ornamentais com o oxido de manganês e cobre, a seguir toda a peça era revestida por uma cobertura à base de chumbo transparente e era então sujeita a uma segunda cozedura.
No reverso da peça era então aplicada uma cobertura à base de chumbo com uma pequena percentagem de óxidos coloridos que poderiam ser ferro ou mesmo cobre, por vezes era aplicada a mesma cobertura que na parte principal da peça. No caso concreto das cerâmicas encontradas em Mértola os motivos ornamentais encontram se sempre no interior ou no exterior das peças quando estas apresentam formas fechadas.
Estas técnicas podem ser ainda hoje vistas em oficinas de mestres de cerâmica  no Baixo Alentejo na zona de Reguengos de Monsaraz.

Adaptação de texto de Susana Martinez
Foto - José Alberto Ribeiro

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Castelo de Paderne A Ermida de N.ª Sra. da Assunção



No espaço interior do castelo encontra-se a ruína de uma construção romântica de pedra rudemente aparelhada e ligada com uma argamassa muito friável e de rebocos sobrepostos.
A Ermida da N.ª Sra. da Assunção é constituida pela capela mor e uma unica nave. A onomastica alude á elevação do corpo e da alma de Maria, mãe de Jesus, á gloria celestial após a morte. Por volta de mil quinhentos e seis, ano em que a igreja foi deslocalizada do interior do castelo recentemente despovoado para a actual refundação na actual aldeia de Paderne, que a Ermida de N.ª Sra. da Assunção ocupou o espaço que fora primitivamente da igreja de Nossa Senhora do Castelo.
Apesar de ausência de evidencias arqueológicas que o comprovem, o facto do orago da primitiva igreja ter como orago Santa Maria e atendendo que as mesquitas eram quase sempre sacralizadas em nome da virgem, leva a crer que a inicial sede paroquial de Paderne ocupou na sua criação a area do templo Islamico. O primeiro registo escrito da igreja data de 1263 no reinado de Afonso III associado á organização dos estatutos da Sé de Silves.
Em 1305 Dom Dinis entrega a igreja á ordem de Avis e possivelmente o edificio sofreu obras de remodelação ou foi mesmo erguida uma nova igreja para marcar a presença da ordem.
Ainda hoje pode ser observado no topo norte da muralha de taipa no enquadramento da actual igreja um telhado de duas aguas, tendo sido observado na da ultima intervenção arqueológica os alicerces das paredes sobre os quais assentaria o telhado.




A fachada principal da ermida tem de largura 5,40m e é ornamentada com um óculo de massa e as paredes laterais têm de comprimento 11 metros apresentando contrafortes adossados posteriormente á estrutura inicial da nave, tendo 3 a norte e dois a sul.




A capela mor exibe ainda o arco triunfal e nas paredes laterais os arranques da cúpula que a cobriu bem como um troço em alvenaria do altar mor que teria 3,60m de comprimento por 3,80 de largura, a actual construção parece ter sido realizada em duas fases, a inicial que parece corresponder á capela mor de secção quadrangular encimada por uma cúpula á semelhança dos tradicionais morabitos do sul de Portugal, posteriormente terá sido acrescentada a nave em cujas paredes interiores registam se os vestígios de dois altares laterais entaipados facilmente identificados pelas aduelas dos arcos e por um aparelho construtivo diferente.
Possivelmente depois do grande terramoto de 1755 as obras de reconstrução adaptaram o altar lateral da parede sul em porta de entrada no novo anexo tendo a nova construção aproveitado um dos contrafortes da igreja como parte de uma das suas paredes

Texto - Dra. Natércia Magalhães
Fotos José Alberto Ribeiro