quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dia internacional dos monumentos e sítios


Este ano mais uma vez o Castelo de Paderne abriu as portas no âmbito das comemorações do dia internacional dos monumentos e sítios

 
                                 



sábado, 30 de março de 2013

DIA INTERNACIOAL DOS MONUMENTOS E SITIOS

Dia internacional dos monumentos e sítios 
Este ano mais uma vez o castelo de Paderne abre as portas ao publico 


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Paderne Medieval

 Este ano voltou a Paderne mais uma vez o evento "Paderne Medieval" pelas ruas da aldeia histórica tiveram lugar desfiles,mercado medieval e actuações musicais. Uma verdadeira viagem pela nossa historia.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Castelo de portas abertas.....

Este ano no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Turismo, comemorado a 28 de Setembro as portas do Castelo estiveram abertas ao publico. O tema das comemorações foi "Turismo & Energia Sustentável" no concelho de Albufeira. Fizeram parte do evento deste ano visitas ao Castelo acompanhadas por tradutor, em português e inglês .

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ermida de Nossa Senhora ou do Castelo




Frei Agostinho de Santa Maria no ano de 1716 descreve assim a Ermida no seu Sanctuario Mariano:

No meio deste castello se vê uma Ermida, dedicada a Nossa Senhora, á qual por causa(sem duvida do sitio em que está edificada) dão a denominação do Castello. É esta Ermida pequena: o corpo é fechado de madeira; mas a capella-mór coberta de abobada. Tem tres altares, e no altar- mór está collocada a sagrada imagem da Senhora, no meio de um nicho formado no retabulo, que é de obra antiga (...). A imagem da Senhora é de escultura de madeira, estofada, e com o Menino de Deus sobre o braço esquerdo. A sua estatura são cinco palmos (...). Antigamente esta Ermida da Senhora do Castello era a parochia de Paderne (...). A Senhora é de muita devoção , e muito visitada principalmente no dia de sua Assumpção, em 15 de Agosto que é o dia de seu Orago (...) "



Documento pelo qual a Ordem de Avis, a 19 de Agosto de 1308, apresenta a D.João, bispo de Silves, Frei João como prior da Igreja de Santa Maria de Paderne, o qual o bispo não confirmou logo por se encontrar em serviço do Rei e necessitar de consultar o seu cabido sobre o que era de direito.




Cabido/Cabildo-sinónimo de cônego ou designar um conjunto de cônegos de uma catedral

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ibn Qasi e os começos de Portugal



Abû al-Kâsim Ahmad Ibn Qasî foi figura impar na
história do Alandalus. Este luso-árabe, de origem muladi,
distinguiu-se em diversos níveis. Como literato, ficou
proverbial, apesar dos poucos versos que até nós chegaram, a
sua reconhecida erudição. Como chefe religioso e sufi, deu
origem ao movimento dos Muridîn, onde se avantajou como
imam e mahdi. Como emir de Taifas chegou a governar,
embora brevemente, uma parcela relativamente considerável
do Gharb al-Andalus. A sua actividade política esteve na
origem de dois factos marcantes no século XII: a vinda e
estabelecimento dos Almôadas na Península Ibérica e a
aliança que fez com D. Afonso Henriques, num momento
em que Portugal caminhava para a afirmação definitiva como
Estado.
Todavia, são misteriosos muitos aspectos da sua vida.
Grande parte do seu percurso permanece envolto em
sombras, sendo certo que se impõe, a nosso ver, e na
sequência de investigações que vimos desenvolvendo há
alguns anos, uma completa reinterpretação do seu percurso e
interferência nos sucessos históricos do século XII.
A fonte mais directa para o conhecimento da época do
grande místico seria, sem dúvida, a História dos Muridinos
ou Revolta dos Muridinos, do seu contemporâneo e, por
assim dizer, conterrâneo Ibn Sâhib al-Salât, história essa a
que este faz frequente referência no seu Al-Mann bi-l-Imâma.
(1) Todavia, trata-se de uma obra que, até hoje, não foi
possível localizar e que se crê perdida.
O juízo das fontes árabes, acolhida em grande parte dos
casos, de forma muito acrítica, pela historiografia posterior, é
extremamente negativo para Ibn Qasi: bastará recordarmos
Ibn al-Abbâr, Ibn al-Khatîb, al-Marrâkushî ou Ibn Khaldûn
aos quais, nos tempos modernos, se seguiram Conde,
Codera, Afîfî, David Lopes ou Addas. (2)
Conde chega ao extremo de inventar pormenores
caricatos sobre o relacionamento entre Afonso Henriques e
Ibn Qasî. Codera limita-se a transcrever, sobretudo, Ibn
al-Khatîb, sem todavia, questionar os seus juízos. David
Lopes tem o mérito de ter traduzido, parcialmente, algumas
fontes mas sem tentar uma abordagem crítica. Afîfî, apesar da
sua erudição na mística islâmica, parece não ter chegado
nunca a conhecer directamente o tratado místico de Ibn Qasî,
O Descalçar das Sandálias (Khal’ al-Na’layn), já que o seu
estudo se limita a fazer uma colagem de passagens desta obra,
citadas por Ibn ‘Arabî no seu Comentário (Sharkh) à mesma.
Além disso, Afîfî demonstra juízos preconceituosos contra o
shaykh de Silves, retirados apenas de algumas apreciações
negativas de Ibn ‘Arabî constantes do Sharkh, mas ignorando
completamente as numerosas que são favoráveis contidas
nas Iluminações Mequenses (Futûhât al-Makkiyya).
Não admira, por isso, que as conclusões a que chega
sejam estereotipadas e discutíveis. Claude Addas parece
navegar nas mesmas águas: louva-se no Sharkh, para concluir
que o juízo de Ibn Arabî sobre Ibn Qasî seria radicalmente
negativo, esquecendo não só as ditas passagens das Futûhât
como também as dos Engastes da Sabedoria (Fusûs al-Hikam)
onde o Shaykh al-Akbar credita ao mestre dos Muridinos a
paternidade de conceitos que ele próprio perfilha. É, por
exemplo, o caso da importantíssima perspectiva sobre a
equivalência dos Nomes Divinos. (3)
Ao que parece, todas as fontes árabes foram beber a Ibn
Sâhib al-Salât que, como cronista de serviço do poder
Almôada, denegriu quanto pôde Ibn Qasî e o seu movimento
dos Muridinos. Tal tem a sua razão de ser: é que o assassínio
do Shaykh, a mando dos almôadas, não conseguiu liquidar,
desde logo, os Muridinos, que ainda resistiram, durante
alguns anos, em diversas fortificações do Gharb,
nomeadamente em Tavira. (4)
O próprio facto de o tratado místico de Ibn Qasî ter sido
dado a conhecer por Ibn ‘Arabî, em Tunis, através do filho
daquele, que aí se refugiara, inculca a ideia de que partidários
dos Muridinos se terão espalhado por outras paragens,
continuando a difusão das suas ideias sufis (5). De todo o
modo, é incontestável que a popularidade dos Muridinos e o
prestígio de Ibn Qasî foram um entrave muito mais forte e
duradouro do que habitualmente se pensa à consolidação do
poder almôada no Alandalus. Tal postulou a existência, por
parte do regime magrebino, de escritos de contrapropaganda,
quer política, quer religiosa, visando contrariar as ideias
ismaelo-fatimidas, tidas como heréticas e socialmente
subversivas. A obra de Ibn Sâhib al-Salât é, pois, de pura
apologética almôada destinada a desacreditar a vaga
muridínica aos olhos das populações do Gharb que tão
profundamente haviam aderido às suas propostas quiliásticas
e messiânicas.
É, por outro lado, sabido que o sufismo de Ibn Qasî, em
parte tributário das ideias dos Ikhwân al-Safâ, apresentava
uma coloração cripto-ismaelita que havia influenciado os
ideais templários, com o seu messianismo da Jerusalém Celeste.
Se pensarmos nas ligações entre Templários, S. Bernardo e a
casa de Borgonha, a instalação do Conde D. Henrique, à testa
do Condado Portucalense, bem poderá ter obedecido a uma
intenção muito concreta. Daí a protecção e concessões que
os Templários sucessivamente receberam de D. Henrique, D.
Teresa e D. Afonso Henriques. (6)
O ideal sinárquico dos Templários casava-se bem com
uma aliança entre o D. Afonso Henriques templário e o Ibn
Qasî, sufi e chefe dos Muridinos. A esta luz, a aliança entre os
dois soberanos ganha uma simbólica e um alcance que, até
aqui, parecem ter passado completamente despercebidos.
Ibn Qasî é considerado, por um lado traidor, pelos
ortodoxos sunitas, e a aliança é vista, por outro lado, como
espúria, pelos cronistas cristãos, que pura e simplesmente a
omitem. Além disso, Afonso Henriques, como para que
branqueamento de tal “mácula”, é glorificado como
mata-mouros e quase santificado no episódio lendário da
batalha de Ourique. Ora, o primeiro rei de Portugal, se bem
que grande conquistador de terras muçulmanas, foi
simultaneamente um esforçado protector dos direitos das
minorias mouras, consagrados em forais que espelham uma
mimetização da Dhimma islâmica. É sabido o seu papel,
aquando da conquista de Lisboa, para travar os cruzados do
norte que todos queriam passar a fio de espada... Refira-se,
ainda, que de mulher moura teve D. Afonso Henriques o seu
filho bastardo, o infante Martim Afonso Chichorro.
O alcance da aliança entre Ibn Qasî e Afonso Henriques
deve, assim, entender-se como algo de verdadeiramente
significante, e não mero pacto de oportunismo. É isso que
resulta do estudo aprofundado das ideias sufis daquele e dos
ideais templários deste.
Por isso, as três teses de doutoramento sobre Ibn Qasî, de
Goodrich, Dreher e Elliot, embora apresentando importantes
contributos, são viradas, sobretudo, à exterioridade política
da actuação do chefe dos Muridinos. Têm, todavia, todas
elas, os seus diferentes méritos. Goodrich estabeleceu o texto
árabe, embora baseado apenas num dos manuscritos. Dreher
apresentou uma tradução parcial, baseada no outro
manuscrito, mas circunscrita ao escopo da sua tese. Elliot
procura dar uma visão de conjunto através de pequenos
excertos de cada um dos capítulos mas deixando quase de
lado o texto qassiano.
Falta cumprir uma das etapas fundamentais: inserir a
mensagem global do seu Livro no conjunto da tradição sufi e
da gnose ismaelita e, muito em particular, relacioná-la não só
com os Mestres da impropriamente chamada Escola de
Almeria mas também com a dos seus discípulos, directos e
indirectos, entre os quais se inclui, evidentemente, Ibn ‘Arabî,
através das obras já citadas.
Parece ser este o caminho mais seguro e estimulante para
uma compreensão do pensamento muridínico e para uma
interpretação da carreira, intensa, e aparentemente
desconcertante de Ibn Qasî. (7)



Moeda em prata, Quirate, de Ibn Qasi, cunhado em Silves
(www.ipsiis.net)





(1) Publicado com estudo preliminar, tradução e índices por Huici Miranda, A.,
Valência, 1969.
(2) Conde, José António: História de la dominación de los árabes em España,
Madrid, 1874; Codera, Francisco: Decadencia y desaparición de los Almoravides en
España, Zaragoza, 1899; Afîfî, A.: “Abû-I-Qasîm b.Qasî wa Kitabuhu Khal al--
Na’layn” in Majallat Kullîyat al-âdâb XI, 1957, 53 - 87, edição da Jâmi’at al--
iskandirîya; Lopes, David: Os árabes nas obras de Alexandre Herculano, Lisboa,
1911; Addas, Claude: Ibn Arabî ou la Quête du Soufre Rouge, Paris, 1989, e
“Andalusi Mysticism and the rise of Ibn Arabî” in The legacy of Muslim Spain,
Leiden, 1992.
(3) “Na verdade cada Nome Divino é qualificado por todos os Nomes
Divinos”; traduzido como Sabedoria dos Profetas, por Titus Burckhardt, Paris, 1955.
(4) Al-Mann..., ed. cit., 134/135.

(5) Halima Ferhat p. ex., defende em Le Maghreb au XII et XIII siécles: les siécles de
la foi, Casablanca, 1993, que Tahir Sadafî, autor místico dos finais do século XII teria
sido difusor ou continuador das ideias muridínicas. Embora não tenhamos lido o
manuscrito inédito da Biblioteca de Berlim, já temos a sua tradução alemã, e
julgamos forçada uma assimilação dos discípulos de Ibn al-’Arîf aos muridinos.
(6) De facto, D. Afonso Henriques, no documento em que confirma a concessão
aos Templários do Castelo de Soure, afirma expressamente “...em vossa
Irmandade e em todas vossas boas obras sou irmão...”, cf. Frei Bernardo da Costa, História da
Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, Coimbra, 1771, 158-9.
(7) Comunicação apresentada no Simpósio Internacional O al-Andalus e a
Formação do Reino de Portugal, realizado de 16 a 17 de Fevereiro de 1996 na Reitoria da
Universidade de Lisboa e a incluir nas Actas respectivas e também inserido na minha
obra “Nítido Crescente”, Lisboa, Ed. Hugin, 1997.

Ficha Técnica
Título: Portugal - Ecos de um Passado Árabe
Autor: Adalberto Alves
Tradutor: Badr Younis Youssef Hassanein
Concepção Gráfica da Colecção: Mário Caeiro
Na Capa: Gebbs tradicional islâmico, técnica de excisão
Criação: Arq. José Alegria
Execução: Atelier Darquiterra
Edição: Instituto Camões
Impressão e Acabamento: IAG-Artes Gráficas
Depósito Legal: n.° 144840/99
ISBN: n.° 972-566-202-4

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Urbanismo islâmico no Castelo de Paderne





Fig 1- Zona interior do Castelo





Decorridas três campanhas de escavações no Castelo de Paderne, foram apresentados alguns resultados referentes ao período islâmico. Esta fortificação de taipa, do extremo sul do Gharb al-Andalus, foi edificada pelos almóadas, mas teve ocupação até ao século XVII. No plano urbanístico, os séculos XII/XIII estão representados por uma cisterna, silos, canalizações,ruas e casas.
A casa mais completa tem 92,66m2, e está localizada no eixo de ruas e organiza-se em oito salas, em torno de um pátio central. Podemos dizer que os compartimentos mais pequenos correspondem a quartos, ou alcovas, depreende se que serviriam para reserva de alimentos, um destes compartimentos tinha um silo.
O espólio que foi apresentado corresponde a uma pequena parte do conjunto, mas é bem ilustrativo da época almóada. A maior parte corresponde a cerâmica comum (vidrada e não vidrada), de uso doméstico, assim como um único vaso policromo, em corda seca. Quanto aos artefactos de metal são de particular relevância as armas, em particular um punhal. Para além destes, apresenta-se também uma chave e um instrumento de osso.



Fig 2- Ceramica Almoada do espolio do Castelo


Apresentação

O castelo de Paderne situa-se na freguesia do mesmo nome, que dista aproximadamente 2,5km para norte, e no Concelho de Albufeira . Está implantado num cabeço, que forma uma península, ladeado pela ribeira de Quarteira,sobre a qual existe uma ponte, cuja origem deve relacionar-se com a do castelo.
Esta forticação islâmica, edificada no período almóada, enquadrava-se num conjunto de castelos que eram o centro de territórios rurais, de pequenas comarcas administrativas.
No exterior das ruínas hoje visíveis, desenvolveu se uma povoação de cariz rural e que corresponderia a uma pequena aldeia (alcaria) que descia em plataforma,sobretudo no lado sul, em direcção à ribeira,e cujos vestígios arqueológicos se encontram escondidos sob o solo actual, resultado dos muitos séculos de abandono.
Totalmente edificado de taipa, este ainda hoje imponente monumento arqueológico do Algarve foi classificado como Imóvel de Interesse Público, por Decreto Lei Nº 516/71 de 22 de Novembro,e é actualmente propriedade do IGESPAR. Este projecto de estudo, restauro e valorização, foi realizado sob a tutela da Direcção Regional de Faro do mesmo Instituto, a direcção científica da parte do projecto respeitante ao estudo arqueológico, esteve a cargo da Dra. Helena Catarino do Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra .


Fig 3- Entrada do Castelo com porta em cotovelo





O castelo


Quando nos aproximamos desta fortificação almóada deparamos com a monumentalidade da sua construção, abrangendo uma área de cerca de 3250m2. As muralhas, com espessuras entre 1,90m e 2,10m, assentam directamente na rocha e apresentam base de alvenaria de pedra em alguns tramos, sendo outros logo directamente construídos de taipa.
No exterior nordeste, do lado mais plano do cabeço,sobressai, praticamente intacta, uma torre albarrã,de planta quadrangular, com 5,84m por 5,70m de lado e 9,30m de altura, ligada à muralha por um passadiço superior, que deixa uma passagem inferior, com 2,15 de largura, que dá acesso à porta, em cotovelo, situada no ângulo voltado a nascente.
A falta de outras torres, adossadas às muralhas,pode ser explicada pela própria implantação no terreno,já que este se apresenta em forma de esporão, com declives acentuados, sobretudo nos lados sudeste e noroeste, sendo que o lado sudoeste assenta sobre blocos de afloramento da rocha. O facto de os lados sudeste e sudoeste apresentarem muralhas quebradas, com esquinas reentrantes, que serviam de ângulos de tiro, substitui a necessidade de construção de torres salientes.




Fig4-Arruamentos


Fig5- Cloaca com escoamento para o exterior da muralha



Arruamentos e canalizações



Com as escavações vieram a descoberto os vestígios arqueológicos da ocupação original. O castelo de Paderne revela uma minuciosa planificação de raiz, assim sendo houve a preocupação de fazer coincidir as canalizações principais, dispostas ao longo de ruelas que iriam terminar nas muralhas onde estão localizadas as cloacas de escoamento.
De momento, depreende-se que as quatro ruas já identificadas nas escavações são transversais a um eixo central, que acompanha a crista rochosa e ligaria
a zona da porta até ao sector sudoeste do castelo.
As ruas secundárias, limitadas por casas, são relativamente estreitas (cerca de 1,20m de largura), com pisos de circulação pouco regulares, umas vezes em terra batida, sobre a própria rocha, ou as lajes de cobertura das canalizações (fig. 3. 5). Estas dispõem-se ao longo do eixo da via e são feitas em rebaixamentos na rocha, ou estruturadas com pedras e têm, em média, 0,30m de largura por 0,25/0,30m de profundidade.
Outras canalizações, de características idênticas às anteriores, mas consideradas secundárias, partem do interior de habitações e terminam nas principais, fazendo parte de uma rede organizada de escoamento de águas pluviais e certamente de esgotos,
embora até ao momento não se tenha assinalado nenhuma latrina.
Identificaram-se, porém, duas estruturas negativas, de abertura circular,aparentemente com forma de silos, que poderão ser interpretadas, pela sua localização, como fossas sépticas. Uma, não escavada, está sob uma parede de construções mais tardias, mas entre o exterior de um edifício islâmico e a canalização da rua; a outra situa-se no mesmo eixo de circulação e a sua escavação revelou tratar-se de uma pequena fossa, com canal de comunicação para a canalização
principal.



Fig6- Cisterna junto do templo Cristão


Cisterna e silos

Os reservatórios de água e de cereais são elementos indispensáveis neste tipo de fortificações.
Quanto aos primeiros, o Castelo de Paderne revelou duas cisternas, de épocas e características distintas, hoje parcialmente entulhadas.
A primeira, de época islâmica, localiza-se perto da porta do castelo, na zona onde mais tarde se edificou o templo cristão . É totalmente escavada na rocha, tem 6,25m por 2,70m, de medidas internas e a cobertura é de abóbada. No exterior apresenta um pátio rectangular, sendo o lado mais estreito o que está na zona do bocal de acesso à água. As reservas de cereais estão representadas em quatro silos, de que se escavaram três: dois deles estão nitidamente no interior de estruturas habitacionais islâmicas e os outros estão, aparentemente, numa área de anexos. Pelos materiais arqueológicos identificados no interior, pode se afirmar que estes silos não foram entulhados ao mesmo tempo.




Fig7- Zona intervencionada com vista sobre a ribeira de Algibre




As construções islâmicas

Das áreas intervencionadas resultou a identificação de um conjunto de habitações, Apesar da extensão razoável de intervenção arqueológica, não foi possível analisar todas as edificações islâmicas e suas transformações, no momento subsequente à reconquista, nem definir as plantas das construções da Baixa Idade Média. Se, na zona junto da capela, apenas foram identificados alinhamentos de paredes islâmicas sob algumas das sepulturas do cemitério cristão, também nas duas principais sondagens cresceram depois casas de época moderna.


Fig8- Ossadas do cemitério Cristão junto da capela


O blog do Castelo de Paderne agradece á Dra. Helena Catarino pela sua disponibilidade em fornecer o material necessário a este post


Fig7 Foi gentilmente cedida pela Dra. Leonor Rocha a quem desde já agradeço

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Arte Islâmica


A arte muçulmana encerra em si um conjunto de manifestações artísticas, correspondentes a diferentes graus de evolução da sua cultura, numa civilização que se expandiu por um vasto território, tendo sido o seu factor de unidade a religião. Desta feita, a arte islâmica em Portugal corresponde a um dado momento da evolução civilizacional muçulmana, interagindo com um povo, cuja cultura era totalmente distinta e, pricipalmente, atendamos, no sector religioso que comandava a vida de ambos os povos: os Árabes e os Portugueses. Este facto é deveras compreensível, até porque os Muçulmanos entraram no nosso território, com o objectivo de invadi-lo e usurpá-lo aos Visigodos (710-716). Apesar da conflitualidade, a arte foi, de certa maneira, bem aceite e facilmente assimilada pelos moçárabes, deixando os seus vestígios e influências. Como se esperava, a arquitectura (religiosa) islâmica, com a “Reconquista”, foi, em grande parte, cristianizada, destruída e profanada, num impulso vingador contra aqueles que o Islão tinha como infiéis.
O fenómeno cultural islâmico caracteriza-se pela sua assimilação, criação e difusão de determinadas formas artísticas. No campo decorativo, basta atendermos à lindíssima escrita árabe, cujos textos originais eram decalcados na íntegra ou por partes nas paredes, pintadas ou ornamentadas com relevos belíssimos. Tanto bastava para a decoração. Ou ainda com azulejos reproduzindo partes de textos ou com motivos geométricos de belíssimas cores .




Vaso de Tavira em ceramica Sec XI, exposto na Casa da Cultura Islamica de Silves


A vida muçulmana é regida por uma certa unidade, cujo factor primordial reside na Religião. No entanto, esta unidade vivencial não viria a fazer sentir-se na sua cultura artística eminentemente homogénea. A vasta área do domínio islâmico que, num ápice, partiu do vasto Oriente a arribou à Península Ibérica, cobrindo todo o Norte de África, foi propício, nas suas várias regiões, a distintas representações formais, de que a nossa Península é um perfeito exemplo. A cultura artística berbere, ao ser difundida pelos invasores, interagia com a tradição local, enriquecendo e alterando as suas próprias formulações de origem. A expansão islâmica noutras culturas tinha como consequência directa a produção da diversidade artística, consoante as suas regiões de implantação. Muito além da sua influência na arte dos povos dominados, outro factor originou a diversidade da cultura artística do Islam. Referimo-nos ao factor proveniente do fundo político-social lá desenvolvido, nas suas numerosas variedades étnicas donde saíram diferentes dinastias e assistiu-se à mudança, ao longo do tempo, dos centros de Cultura, segundo as chefias políticas que promoviam, consoante o seu desejo, certas regiões e a construção artística das mesmas.






Casa do Alentejo em Lisboa




No início, a Arábia não conheceu a arquitectura monumental. Quando os Muçulmanos ocuparam a Síria e o Iraque foram imbuídos pela influência bizantina das dinastias sassânidas nesses territórios, onde emanavam aspectos artísticos do mundo mediterrânico e asiático. A arte islâmica, genericamente, desde os seus primeiros impactos com a civilização, caracterizou-se pelo seu sincretismo, na mistura mais ou menos confusa de doutrinas diferentes e, gradualmente, definiu uma identidade própria, mas com as suas diversidades regionais. Apesar da diversidade formal desta arte, manteve dois aspectos imutáveis: o carácter áulico de uma arte ao serviço do imperium e testemunha do centro urbano onde assenta. A sua arquitectura revelou-se como um foco englobador de outras artes. O edifício, no seu todo, é um verdadeiro suporte da decoração.

Excerto de texto de João Silva de Sousa
Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Académico Correspondente da Academia Portuguesa da História


sábado, 21 de maio de 2011

Da janela da minha escola vejo um monumento



Os alunos da Escola EBI/JI de Paderne Turma D 4ª Ano de visita ao Castelo de Paderne


O blog do Castelo de Paderne agradece a utilização do video ao Professor Miguel Cunha