sábado, 21 de maio de 2011

Da janela da minha escola vejo um monumento



Os alunos da Escola EBI/JI de Paderne Turma D 4ª Ano de visita ao Castelo de Paderne


O blog do Castelo de Paderne agradece a utilização do video ao Professor Miguel Cunha

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Conquista de Paderne

Conquista de Paderne



A sul da serra algarvia, estendia-se um mundo que fascinava os conquistadores cristãos, tanto portugueses como do norte da Europa: uma densa rede de castelos, e cidades ricas e populosas. Em 1189, num golpe arriscado, D. Sancho I, em conjunto com uma esquadra de Cruzados, lança-se sobre a cidade mais emblemática da região: Silves. Mas após um breve domínio português sobre o Barlavento, o poderoso Império Almôada iniciou ma reacção fulminante.
Meio século depois, Paio Peres Correia, liderando os Cavaleiros da Ordem de Santiago desencadeou uma série de campanhas que derrubaram o reino muçulmano do Algarve.
Mas a defesa da fronteira havia estimulado aos Almôadas grandes progressos nas técnicas de fortificação. Os califas e os seus representantes na Hispânia promoveram intensas campanhas de construção de fortalezas nos pontos estratégicos. Os maiores investimentos foram para as grandes cidades, como se pode apreciar em Sevilha, Badajoz ou Silves que constituem ainda hoje verdadeiros epítomes da arte da fortificação. Mas não só. Mesmo povoações rurais pouco importantes foram dotadas de pequenos castelos para refúgio em caso de ataque cristão, chamados “albacares”. A divulgação das técnicas norte-africanas de construção em taipa, blocos de terra comprimida aumentou a velocidade de construção sem comprometer a solidez, como testemunham as torres sobreviventes de Paderne, Tavira ou Salir. Desta forma, acreditavam os califas, se impediria o despovoamento muçulmano do al-Andalus.
Os engenheiros almôadas incluíram em Paderne os elementos característicos da fortificação almôada, como a porta em cotovelo, que dificultava a entrada e a passagem de aríetes (antiga máquina de guerra constituída por um forte tronco de freixo ou árvore de madeira resistente, com uma testa de ferro ou de bronze a que se dava em geral a forma da cabeça de carneiro) e máquinas semelhantes. Esta defesa era particularmente eficaz, já que as portas eram habitualmente o ponto fraco de qualquer fortificação, como bem sabiam os cruzados que ficaram desiludidos com “portas de tal forma tortuosas e angulosas que eram mais fácil escalar os muros do que escalar por elas” como demonstra a ilustração.
Quando Paio Peres elegeu como objectivo dos próximos esforços o “castelo forte mui bom” de Paderne, no meio da actual província, o comendador de Alcácer seguiu de novo a “estratégia da aproximação indirecta”.
A escolha do castelo de Paderne justificava-se pela posição deste antigo ribât (mosteiro fortificado), erguido numa elevação que vigiava a estrada que unia Silves às cidades do Sotavento. Caso a fortaleza fosse ocupada, os cavaleiros de Santiago poderiam cortar as comunicações entre o vale do Arade e as cidades do Sotavento e lançar algaras em todas as direcções. Com efeito, o território defendido pelo castelo ia de Albufeira, no litoral, até à Serra. Relativamente a Estômbar ou Alvor, Paderne constituiria não só uma base melhor colocada, como muito mais defensável. Assim, provavelmente em Junho de 1239, os cavaleiros de Santiago partiram da nova base em direcção à vila fortificada de Paderne.
Para o assalto a Paderne, Paio Peres preferiu dirigir-se directamente à fortaleza, contornando Tavira e Loulé sem deixar qualquer força de contenção a vigiar os movimentos destas cidades. Apesar da tentativa de surpreender a guarnição, o ataque fracassou ingloriosamente. Era o primeiro sinal de que, no Sotavento, os espatários encontrariam resistência bem mais decidida e coordenada. De facto, sabendo que os santiaguistas de Paio Peres tinham de sair das bases para as cavalgadas, os muçulmanos tentaram a todo o custo o confronto campal, onde a superioridade numérica fosse decisiva. Tais iniciativas atribuíam-se à convicção dos mouros que deveriam derrotar o mestre de Santiago em campo aberto, quando era mais vulnerável.
A conquista de Tavira concedeu maior liberdade de movimentos às hostes da ordem de Santiago. A partir dessa cidade, foi enviada uma expedição contra Salir, castelo que foi tomado de assalto e ocupado por cristãos, em 1239 ou, menos provavelmente, em 1240. Este pequeno castelo tinha a importância de estar posicionado num ponto de passagem obrigatório de uma das poucas vias que atravessa longitudinalmente o Algarve. Permitia proteger as deslocações entre Tavira e o Oeste contra os mouros de Loulé e Faro. Sempre seguindo a “estratégia da aproximação indirecta”, Paio Peres começa a controlar um extenso território. A base deste controlo era o domínio das fortificações que lhe proporcionavam um meio de pressão sobre as cidades e a vigilância das vias de comunicação.
Os cavaleiros de Santiago dirigiram-se a Paderne, confiando que um cerco em regra teria mais sucesso que o assalto de surpresa anteriormente tentado. Mas a presença em Silves de Aben Mafom, rei do Algarve inspirou ao comendador de Alcácer um estratagema engenhoso. Conhecendo a tendência que os mouros do Algarve vinham manifestando para sair das muralhas quando convictos da superioridade numérica e animados pela perspectiva de uma batalha campal decisiva, D. Paio decidiu forjar uma manobra de diversão. Enviou uma coluna para tomar Estômbar, fazendo crer a todos que a comandava pessoalmente e que seguia nela a maior parte da hoste. A reacção do emir do Algarve foi a esperada: assim que foi informado que o comendador estava em Estômbar, sai de Silves para acorrer ao local, julgando que ia finalmente derrotar o homem que tanto fizera diminuir o reino. Contudo, Paio Peres Correia com a hoste principal levanta subitamente o cerco de Paderne, e desloca-se para Silves onde consegue controlar as muralhas e as portas da cidade. A ocupação de Silves não foi simples, visto que os mouros não se renderam facilmente. O emir, dando-se conta do logro em que caiu, regressa a Silve. Após tentativas baldadas de penetração pela couraça, pelas portas da cidade e pela porta da traição que dava acesso à Alcáçova, desiste do intento, abandona os defensores à sua sorte e foge para norte. A oposição durou até os sarracenos se convencerem da inutilidade da resistência e saberem que D. Paio lhes propunha um acordo aceitável.
Dias depois, o comendador de Alcácer ataca Paderne pela terceira vez e, finalmente, consegue tomar de assalto a tenaz fortaleza. Mas desta vez, Paio Peres mostrou-se menos generoso do que em Silves e fez passar a fio de espada os defensores, como represália pela morte de dois freires de Santiago. O Barlavento algarvio ficava definitivamente dominado pelos cristãos.


A imagem foi gentilmente cedida por Pedro Oliveira Pinto, do seu romance histórico “O Senhor de Paderne”
THE LORD OF PADERNE © Pedro Oliveira Pinto
All rights reserved
http://lordofpaderne.deviantart.com/




Obrigado por tudo Pedro

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Paio Peres Correia

Paio Peres Correia (?-1275)
O herói do Algarve




A lenda atribui-lhe feitos bíblicos.
A História reduziu-lhe as dimensões.

Mas, em qualquer caso, foi um grande guerreiro: conquistou boa parte do Algarve.
Para termos uma ideia da importância e da fama que Paio Peres Correia teve aos olhos das gerações seguintes à sua, bastará recordar algumas das lendas que lhe estão ligadas: dizia-se que, tal como Moisés, também ele fizera brotar água da rocha, para matar a sede aos seus guerreiros; e dizia-se ainda que, tal como Josué, também ele obrigara o Sol a parar no seu percurso para poder derrotar os Mouros numa grande batalha.
Deixando de lado os prodígios bíblicos, diremos que este guerreiro terá dado um auxílio decisivo a dois dos nossos reis, D. Sancho II e D. Afonso III, na conquista do Algarve. O que faz dele, não já um fundador, mas um dos construtores de Portugal. Acrescente-se que a sua acção não teve somente uma dimensão nacional, mas estendeu-se a toda a Hispânia cristã.
Não se conhece a data de nascimento de Paio Peres; tanto pode ter sido em 1205 como num dos últimos anos do século XII. Julga-se que pertencia à família dos senhores da honra de Farelães (região de Barcelos). A sua vida esteve, desde muito cedo, ligada à ordem militar de Santiago. Sabe-se que em 1230 já estava integrado nesta Ordem, implantada tanto em Portugal como em Castela. No seu seio, o jovem guerreiro ganhou importância rapidamente, pois que em 1235 já era comendador de Alcácer ou talvez, mesmo, mestre provincial de Santiago. Nesta qualidade, e à frente da milícia dos espatários (nome dado aos freires de Santiago), auxiliou D. Sancho II na sua conquista (em certos casos, reconquista) do Alentejo: participou na tomada de Aljustrel, que lhe seria doada pelo rei, e provavelmente nas tomadas de Alvalade, Juromenha, Beja e Mértola. Foi, aliás, para Mértola que Paio Peres Correia transferiu a base principal da Ordem portuguesa, que antes estivera em Alcácer do Sal. A vila era, quer para fins defensivos quer para fins ofensivos, um posto de vigilância sobre o Algarve.
Quanto às conquistas algarvias de Paio Peres, pelas quais ele se celebrizou, levantam-nos ainda hoje problemas cronológicos – depois de, na sua época, terem levantado, possivelmente, problemas políticos. Parece bem estabelecido que, após ter-se instalado em Mértola, o chefe dos espatários portugueses se lançou sobre o Algarve, onde se haviam perdido as principais conquistas de D. Sancho I, e tomou aos Mouros Cacela, Ayamonte e Castro Marim. Depois viria a conquistar Estômbar, Alvor, Silves e Tavira. Esta última acção seria, de certa forma, uma represália pela morte de sete cavaleiros portugueses cercados a abatidos pelos Mouros. Ou, pelo menos, é o que conta a tradição. Aqueles sete homens, mortos perto do lugar das Antas, estavam todos ligados a Paio Peres: D. Pedro Pais, Mendo do Valle, Damião Vaz, Álvaro Garcia, Estêvão Vasques, Valério de Ossa, e um mercador, Garcia Rodrigues, que fornecera informações preciosas sobre as movimentações dos Mouros. Os ossos desses sete cavaleiros estão hoje na igreja de Santa Maria do Castelo, em Tavira, em local assinalado por uma lápide que, aliás, conta uma história diferente: terão morrido durante o ataque à cidade, versão que parece mais lógica.




Cavaleiro da Ordem de Santiago




"Correia” com aspas

Paio Peres Correia: este último nome, deveríamos escrevê-lo entre aspas, já que, na época, não era ainda um apelido e sim uma alcunha herdada. Não havia, então, apelidos. O próprio nome “Peres” indica simplesmente que aquele Paio (abreviação vernácula de Pelágio) era filho de um homem chamado Pêro (Pedro).
Como se referiu, “Correia” era uma alcunha herdada – neste caso, ao que se julga, de um bisavô ilustre, Soeiro Pais, que – ao ver-se cercado pelos Mouros no castelo de Montemor-o-Velho, e faltando-lhe provisões, decidiu comer (ele e os seus companheiros, julga-se...) os arreios de couro do seu cavalo e as correias da sua armadura. Daí que passassem a chamar-lhe “o Correia”, para, assinalando a sua acção, o distinguirem de outros Soeiros Pais.
Esta tradição é, pelo menos, plausível, porque muitos apelidos começaram por ser alcunhas devidas ao comportamento ou à aparência de certos homens e passavam depois aos descendentes, até se transformarem no nome distintivo da família.



Marcas duradouras

Não é possível seguir com exactidão os passos de Paio Peres Correia. A sua presença na corte portuguesa está assinalada em 1265, quando serviu de confirmante numa concessão dada pelo rei ao seu chanceler Estêvão Anes. Provavelmente, manteve-se como residente em Castela, mas terá vindo frequentemente a Portugal; em todo o caso, faleceu e foi sepultado em Tentudía (Castela), praça da ordem de Santiago, mas trasladado, no século XVIII, para Tavira, para a mesma igreja onde repousam os “sete cavaleiros”.



Túmulo de Dom Paio Peres Correia



Ossário dos sete cavaleiros de Dom Paio




A memória de Paio Peres Correia não é, hoje, muito viva, pelo menos na consciência da maioria dos portugueses. Mas muitos, sem o saberem, evocam-no constantemente. Por exemplo, ao pronunciarem o nome de Paio Pires, a aldeia do concelho do Seixal, estão a pronunciar também o nome do conquistador do Algarve, que fundou aquela aldeia (como se sabe, “Pires” é somente uma forma de “Peres”).
Outros falarão de Samora Correia – e estarão, também eles, a prestar involuntária e inconsciente homenagem a Paio Peres Correia. Inicialmente, a povoação (situada em terras doadas aos espatários) era apenas “Çamora”. O primeiro documento em que aparece o nome de Samora Correia data de 1300 e a explicação mais lógica é a de que o segundo nome foi acrescentado em homenagem a Paio Peres. Portanto, não foi somente no Algarve que ele deixou marcas duradouras.



Insignia da Ordem de Santiago



As imagens foram gentilmente cedidas por Pedro Oliveira Pinto, do seu romance histórico
“O Senhor de Paderne”
THE LORD OF PADERNE © Pedro Oliveira Pinto
All rights reserved
http://lordofpaderne.deviantart.com/

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Castelo de Paderne vai abrir-se à sociedade


Câmara de Albufeira assina protocolo com direção regional de Cultura para assumir gestão do imóvel

Abrir o castelo de Paderne à fruição pública e à sociedade algarvia é o principal objetivo do protocolo assinado segunda feira entre a câmara municipal de Albufeira e a direção regional de Cultura do Algarve, na presença do secretário de Estado da Cultura. Após muitos anos de negociações, as partes chegaram a um desfecho positivo para desenvolver uma parceria que permita dar mais vida àquele património histórico de caraterísticas únicas no país, erguido em taipa pelos almóadas entre o século XI e o século XII. O acordo assinado, no salão nobre dos paços do concelho, entre a autarquia albufeirense e a direcção regional de Cultura implica a cedência de utilização do imóvel, hoje propriedade do estado, à câmara, para gestão e abertura do castelo à fruição pública. As duas entidades pretendem que a sociedade “o possa utilizar como instrumento de educação, de deleite, de identificação coletiva e de desenvolvimento socio-económico e cultural”. A criação de uma estrutura de acolhimento e apoio, no exterior da área do castelo (um módulo ou contentor, dada a impossibilidade de ali ser construída uma obra, por este se situar em zona de Rene Natura), também é outra das ações previstas no acordo. Este espaço servirá para a receção dos visitantes e para “a divulgação e valorização do monumento e da paisagem cultural envolvente”. O acordo – que prevê ainda a criação de um grupo de acompanhamento – tem a duração de cinco anos, sendo renovado automaticamente pelo mesmo período caso nenhuma das partes não o denuncie. O castelo de Paderne, uma fortificação do período hispano-muçulmano construída com um processo singular, em taipa, depois desativado e abandonado durante séculos, foi classificado, em 1971, como imóvel de interesse público e adquirido, em 1997, pelo estado, que ali procedeu a obras de requalificação, um investimento de 1,5 milhões de euros. “Este protocolo, trabalhado há muito tempo e com caraterísticas muito especiais, permitirá que o monumento de referência no concelho possa ter a utilização que se deve dar àquilo que é recuperado. O pior que se pode fazer é fechar e as pessoas não terem acesso ao património público”, disse Desidério Silva. O presidente da câmara de Albufeira destacou que Paderne tem uma componente importante no contexto cultural do município, sublinhando que o património é uma área “cada vez mais importante e fundamental” na procura de um destino turístico. A diretora regional de Cultura, Dália Paulo, mostrou-se satisfeita por este “processo moroso ter chegado a bom porto”. “Estamos dispostos a devolver o património às pessoas e este caminho será seguido com outros monumentos algarvios, criando sinergias com as respetivas autarquias”, revelou. O secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, presidiu à cerimónia realizada segunda feira, onde recordou o papel que também teve neste processo, quando presidia ao então IPPAR – Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, atualmente IGESPAR. “Este protocolo celebrado entre os poderes central e local é um exemplo do caminho de paciência e de ultrapassagem de obstáculos desde que se iniciou, comigo no IPPAR, há cinco anos”, disse. O governante espera que o castelo de Paderne, pelas suas especificidades, seja “relevado e valorizado”. “Há um caminho muito importante para o futuro deste país: o da valorização do território e do património”, rematou.



Jornalista: Edgar Pires epires@diarionline.pt

Agradeço a foto à Prof. Dra. Leonor Rocha , Universidade de Évora

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Castelo de Paderne - Aquando do restauro das muralhas

Alçado lateral da Capela e a muralha a Norte


«Este castelo é uma jóia». Com esta afirmação, o arquitecto espanhol Manuel Lopez Vicente demonstrava todo o apreço pelo pequeno Castelo de Paderne, cujas obras de conservação e restauro decorreram entre de 2004/05 com a sua assessoria técnica.
Nas obras de restauro e conservação das suas muralhas em taipa militar, recorreram à utilização do material mais abundante na zona, a terra, respeitando assim a técnica original.
Nas obras não foram utilizadas as terras retiradas pelas escavações arqueológicas, o arquitecto explicou que «a terra das escavações continha muitos restos orgânicos, o que lhe alterava a cor e outras características». Por isso, a solução foi misturar «terra do castelo com terra dos arredores».
No restauro foram efectuados ensaios para determinar a composição da taipa militar e concluiram que a composição era a mesma existente noutros castelos da mesma área de influência.

Banco de ensaios

Armação de taipais

As obras começaram pelo lado Sul do castelo, «porque era o que estava mais estragado», com as muralhas literalmente a desfazer-se e a pôr em risco o resto da estrutura referiu o arquitecto Manuel Lopez Vicente.

Inicio dos trabalhos nas fundações do topo Sul

Compactação da taipa

Aspecto geral do lado Sul com andaimes e taipa

Segundo Natércia Magalhães, técnica superior do IGESPAR (antigo IPPAR)de Faro, a ideia foi que «fique o mais parecido possível com a muralha original, embora permitindo reconhecer a intervenção, distinguindo-a do que era a taipa original». A imagem arquitectónica que se pretendia era que subsistisse, em parte, a actual «ruína conservada», impregnada de «cicatrizes» por uma existência histórica com a duração de oito séculos.


Projeção de material aderente no lado Este




Aspecto interior da muralha depois de reparada




Aspecto exterior da muralha depois de reparada


As obras foram realizadas pela firma Stap, que se dedica exclusivamente à reabilitação de construções com uma forte componente de saber e inovação, que procura responder eficazmente às necessidades do mercado na área dos trabalhos especializados de natureza construtiva e estrutural.

www.stap.pt/


Fotos: Maria Fernandes,Arq.
6º Curso de Mestrado em Reabilitação de Arquitectura e Nucleos Urbanos

Texto: http://www.barlavento.pt/index.php/noticia?id=200
Jornalista Elisabete Rodigues



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Paderne Medieval




Entre os dias 30 de Dezembro e 2 de Janeiro, a freguesia de Paderne voltou a receber o evento Paderne Medieval.
O desafio passou por criar,pelo terceiro ano consecutivo, os tempos de atribuição da Carta Foral a Paderne.
Nobres donzelas, senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, membros da Igreja, servos e artesãos desfilaram pelas ruas da povoação, relembrando o espírito medieval vivido no século XIV.
Mais do que uma simples interpretação da história, este evento permitiu aos visitantes viverem um momento único de mistura de gentes, raças, credos, religiões, hábitos e cultura.
A Aldeia histórica de Paderne reviveu os tempos da idade média com desfiles, torneios, exibições, mercado medieval, actuações musicais e muitos outros momentos históricos .

sábado, 11 de dezembro de 2010

A estrutura Económico-Social e Política


Em meados do século XI, mais de metade de Portugal territorial era ainda muçulmano, ocupando uma área de 53 500 km2. Gradualmente a ofensiva cristã foi minimizando esse espaço: um século passado, quando o Tejo ao estabelecer-se como fronteira, restavam ainda aos Mouros uns 37 300 km2.
No ano de 1230, o território pertencente ao Islão ficou reduzido a 15 300 km2. Por último, o que ficou aos Muçulmanos entre 1238 e a conquista final de 1249 eram somente 2500 Km2.
A importância demográfica e prosperidade económica do Al-Gharb não se devem a uma distribuição populacional equilibrada, mas sim à existência de algumas grandes cidades e aldeias, desconhecidas do Norte.
Não só aí residiam os abastados proprietários de campos de cultivo, como também os trabalhadores que os tornavam produtivos. Há também registos de mercadores, artífices, marinheiros e pescadores. O Sul mostrava-se urbano em carácter, embora o seu reduzido povoamento humano fosse exigido nessas cidades.
O povoamento variava de região para região e a Norte de Al-usbuna, o país mostrava-se bem cultivado e povoado.
A vida económica baseava-se evidentemente na agricultura. O Sul produzia cereais em abundância, sobretudo trigo, sendo famosa a região entre Al-usbuna e Santarin pela sua alta produtividade, considerada como um verdadeiro celeiro. A fruta e o azeite seguiam-se, detendo também o primeiro lugar.
Extensos campos de olivais cobriam o país, por vezes misturados com trigo. O actual Algarve era já um dos grandes produtores de figo e amêndoa, objecto de larga exportação. Em redor da cada cidade, pomares acompanhados de férteis hortas alimentavam a população local, permitindo também algumas exportações. É de referir também a difusão de uma variedade botânica de trigo (trigo mourisco), arroz, laranja e o açafrão.
Foram vários os legados Muçulmanos relativamente às técnicas e melhoramentos agrícolas estando na base das infra-estruturas rurais de certas áreas do sul. Entre eles destacam-se aperfeiçoamentos de dois engenhos relevantes, a naura (nora) e a sanzya (azenha).
Na economia, parte importante era desempenhada pelo peixe e pelo sal. Assim toda a costa marítima do Gharb era solarenga e propícia às actividades piscatórias. Também ao longo dos estuários dos rios Tejo e Sado eram frequentes as salinas. Pouco se sabe da criação de gado, mas produzia-se bastante leite, manteiga e queijo, provavelmente de ovelha e de cabra. A abundância de bolota convidaria à criação de porcos apenas entre os camponeses cristãos, já que a religião Islâmica se mostrava contrária à existência de tais animais. Pesca, sal e localização geográfica foram fundamentais para o surto de navegação e de comércio marítimo. Escasseiam também as fontes sobre comunicações do comércio. A rede vial romana foi provavelmente mantida e reparada, se não alargada. Planícies e alguns rios (embora a navegabilidade fosse limitada pelas condições do solo e do clima) permitiam contactos e transportes mais fáceis do que no Norte. A circulação da moeda em ouro, prata e cobre era abundante. A tradição transmitida a tempos posteriores sugere um elevado número de mão-de-obra especializada, de acordo com necessidades domésticas e quotidianas, tais como alfaiates, carpinteiros, sapateiros, oleiros, pedreiros, celeiros e outros semelhantes. Alguns estavam organizados em corporações rudimentares e estabelecidos em ruas ou zonas bem determinadas. Fabricava-se possivelmente papel, mas é provável que houvesse sobretudo importações do oriente de Al-Andalus.
A estrutura social de al-Garb al-Andalus nos séculos XII e XIII não se mostrava muito diferente da do norte cristão. Uma classe de proprietários rurais detinha a maior parte do solo e controlava a maior parte do poder.
Contrariamente aos portugueses da região norte, esses latifundiários habitavam geralmente nas cidades ou em grandes aldeias, onde recebiam as rendas das suas herdades que visitavam por curtos períodos.
O tipo de propriedade correspondente no sul à villa chamava-se dai'a, donde o português tirou a palavra aldeia. O processo de conversão de uma dai'a em freguesia, em tempos posteriores, foi semelhante àquele que transformou a villa em freguesia também. O seu núcleo, onde se localizava a casa senhorial, rodeada pelas habitações dos clientes e por outras dependências, tornou-se, em tempos cristãos, a aldeia propriamente dita, isto é, uma «aldeia», no moderno sentido da palavra. Em cada ‘dai'a a exploração rural pertencia a camponeses livres (muzãri) que estavam ligados ao proprietário pelo pagamento de uma renda, a qual podia ascender a metade da produção. Por sua vez, o proprietário devia ao Estado (no Islão, não separado da Igreja) uma dízima, relacionada com a obrigação religiosa do pagamento do zakãt (esmola). Em teoria, todas as terras pertenciam ao Estado que, no tempo da conquista, as concedera perpetuamente a um guerreiro e a seus herdeiros.
Umas quantas herdades, ou antes, certos pequenos minifúndios, foram deixados nas mãos de agricultores cristãos. Tinham de pagar um tributo chamado harã, muito superior à dizima. Mais tarde, quando boa parte dos Cristãos se foi convertendo ao islamismo e passando a muwalladun (daí a palavra portuguesa malados), essa contribuição não foi reduzida. Ficaram assim os malados em situação fiscal pior que a dos velhos muçulmanos, o que acarretou perturbações sociais e divisões nítidas entre os dois tipos de crentes, À medida que a autoridade central se ia tornando mais fraca, a área das diya aumentava e as terras de haraj diminuíam, visto que muitos pequenos proprietários preferiam alienar o seu direito à propriedade plena e encomendar-se antes à protecção e autoridade de ricos proprietários de diya, o que lhes reduzia o peso dos impostos e lhes aumentava a segurança.
Teoricamente, não existia, no Islão, igreja separada. Para fins práticos, porém, o Estado consignava às mesquitas as rendas de grande percentagem de propriedade, tanto rural quanto urbana, assim como a sua administração real.
Nestes termos, podiam considerar-se as mesquitas como grandes proprietários também.
Apesar de todas as cedências, o Estado manteve-se extremamente rico e poderoso nos países muçulmanos. Através do califa e de seus representantes, possuía terras cultivadas, propriedade urbana, meios de produção (tais como moinhos, fornos e lagares) e a maior parte dos baldios. Este papel do Estado não pode ser subestimado, se quisermos compreender as condições do poder real quando os monarcas cristãos se apoderaram de tudo aquilo que pertencia ao estado muçulmano. O desmembramento do califado, pela segunda vez em cem anos, e o consequente surto de unidades locais de administração política implicaram tendências autónomas e governos hereditários regulares. Em muitos casos, os impérios Almorávida e Almohada mantiveram e até reforçaram a hereditariedade como meio poderoso de impedir a anarquia e de resistir a ataques externos. Grandes senhores locais receberam o governo das áreas onde residiam e conseguiram mantê-lo dentro da sua família por mais de uma geração. Se não se desenvolveram pequenas dinastias locais, foi apenas por falta de tempo. Em Santarin e al-Qasr, por exemplo, as tendências militares passavam de geração em geração até à conquista cristã. São impressionantes as genealogias muçulmanas, pois deparamo-nos com os parentescos entre os diversos funcionários superiores locais no Al-Gharb al-Andalus. Uma pequena oligarquia detinha aparentemente o poder, limitando-se a trocar entre si os principais cargos.
O extremo sul constituía outra kura com capital em Shilb. Como todas estas cidades, e muitas outras, tinham governadores militares com o mesmo nome (alqa'id, em português alcaide), torna-se difícil determinar a hierarquia relativa de umas para com as outras.
Abaixo da kura, havia ainda a pequena unidade rural chamada qarya (plural quran) assim como a cidade (qasaba ou madina). Estas palavras deram, em português, (al)caria, (al)cáçova e (al)medina.
Para fins judiciários, existia coincidência aproximada entre as suas unidades e as Kuwar. Cada cidade e muitas aldeias grandes tinham o seu qãdÍ (de onde vem alcalde) ou juiz próprio. Nas comunidades mais pequenas, este funcionário era substituído por um hãkim (alfaqui em português). Outro funcionário importante, que praticamente controlava a vida económica de cada cidade, era o muhtasib (em português, almotacé), que tabelava os preços, aferia os pesos e medidas, estabelecia a importância das multas, servia como árbitro em disputas económicas, superintendente da cidade em mantimentos e em água, etc. Em teoria, todos estes funcionários eram nomeados, mas a prática comum tornou-os ou hereditários ou escolhidos entre um pequeno grupo de notáveis locais.
São escassas as noções quanto ao avanço cultural de al-Garb Cultura al-Andalus durante os séculos xii e xiii. Podemos conhecer alguns poetas e escritores que aí nasceram, mas ignoramos as condições gerais e os meios de toda a actividade cultural. Cultivava-se a poesia e diz-nos al-Qazwini (falecido em 1283) que, em Shilb, até os cavadores se mostravam capazes de improvisar estrofes. Baladas líricas e canções conhecidas por muwâsah e zajal foram por ventura introduzidas do centro e do oriente do Al-Andalus onde estavam em voga a partir do século XI. A rápida propagação do sufismo e o turbilhão religioso dos meados do século XII poderiam explicar-se simplesmente por razões sociais e económicas. Todavia, não deixam de sugerir certa cultura religiosa e filosófica de raiz urbana. Existiriam por certo escolas, embora nada saibamos, por exemplo, do número e da localização de madrasahs («universidades» ou escolas secundárias muçulmanas). Seja como for, toda essa cultura era árabe, dependendo da fé islâmica. A «Reconquista» destruiu-a completamente, matando ou reduzindo ao exílio a maioria dos seus representantes. O alfabeto árabe, contudo, difundira-se até entre os Moçárabes, utilizado para escrever os seus dialectos latinos.


Fonte - Prof. Doutor A. H. de Oliveira Marques
História de Portugal Volume 1 (Das origens ás revoluções liberais)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Doação do Castelo de Paderne




No ano de 1305 D.Dinis fez a doação do Castelo de Paderne ao mestre da ordem de Avis, D.Lourenço Annes .
Esta doação foi feita pelo monarca á ordem de Avis por muito serviço que me fizestes e em remiimento dos meus
pecados.


Em nome de deos Amen Conheçuda(1) cousa seia (2) a Aquantos esta carta virem que eu Don denis pela graça de deos Rey de Portugal e do Algarve ensembra(3) com minha molher Rainha dona Isabel e com o Inffante dom Affonso nosso filho primeiro herdeiro, querendo fazer graça e mercê a vós don lourenço affonso meiestre da ordem daviz e a vossa ordem e a vosso convento por muyto serviço que mi fezestes e em remiimento(4) de meos pecados e que aja eu parte em todollos bees que na dita ordem se ffezerem dou e dõo pera todo o sempre A vós e a a ditavossa ordem e convento o meu castello e a minha vila de paderna com o padroado da eigreja e com todos seos termios e con regoengo e com todo o direito e jus Real que eu hy ey e de direito devo A aver, também temporal como espiritual, dou e outorgo a vós e a a dita ordem e convento o dito castello e a vila de padernae e o padroado da eigreja Assi como de suso dito he e com ssas(5) entradas e saidas ecom todas ssas perteenças por jur derolamentos pera todo senpre E todos aquelles que esta minha doação a aguardarem sejam beentos de deos E os quecontra ela hir quiserem non lhis seja outorgado e ajam a maldiçon de deos e a ynha pera todo o senpre. E esta minha doaçon este en ssa(6) fermidõe E por tal que seja mays firme e mays estavil dou onde a vós esta minha carta seellada do meu seelo do chumbo feita a carta em Santarem primo dia de janeiro el Rey o mandou, francisque anes A ffez Era MCCCXLIII anos.

Liv.º 3º dÉl-Rei D.Diniz, de Doações e Foraes-fls.36.

1-Conheçuda-conhecida
2-Seia-seja
3-Ensembra-juntamente
4-Remiimento-remissão
5-Ssas-suas
6-Ssa fermidõe-sua firmeza

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ponte Antiga de Paderne








A ponte de Paderne, que também designam como Ponte Romana, situa-se sobre a ribeira de Quarteira, nas imediações do Castelo de Paderne, e terá sido construída para servir o castelo.
A inscrição sobre o arco central, que refere o ano 1711, julga-se ser relativa à obras de remodelação, de que beneficiou também recentemente, para consolidação da estrutura, repavimentação do tabuleiro e recuperação dos muros.
A ponte é constituída por um tabuleiro rectilíneo, suportado por três arcos de volta perfeita, assentes em dois pilares sobre o leito da ribeira, reforçados por talha-mares.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Os Trabalhos de Arqueologia

Os trabalhos de arqueologia no castelo de Paderne remontam ao ano de 1987, tendo sido coordenados desde o início por Helena Catarino, numa iniciativa de valorização do património, levada a cabo pela Câmara Municipal de Albufeira.O primeiro estudo foi desenvolvido no ano de 1987 e contou com a colaboração de António Tavares, no que se refere à análise da torre albarrã.A sondagem arqueológica efectuada teve como objectivo específico identificar e definir sequências estratigráficas de ocupação, potências de terras acumuladas, verificação do estado de conservação de estruturas soterradas, e em último lugar avançar com hipóteses quanto a épocas de ocupação e de abandono.No âmbito da realização destes trabalhos arqueológicos, foram encontrados diversos materiais, actualmente, integrados na colecção permantente do Museu Municipal de Arqueologia. Do espólio encontrado, destacam-se as cerâmicas, sendo que as mais antigas são atribuídas cronologicamente ao século XIV, podendo estar relacionadas com produções malaguenhas ou valencianas, metais e espólio osteológico. A segunda campanha de escavações decorreu em 1998. A área intervencionada situou-se na capela e zonas limítrofes com o objectivo de desentulhar o espaço do altar, nave central e sacristia. Do espólio encontrado resultaram materiais como cerâmicas tardo-medievais, faianças do século XVII, e evidentemente os elementos arquitectónicos da ermida.Em 2002 e 2003, foi escavada uma área de 687m2 distribuída por nove sondagens, uma intervenção arqueológica no âmbito do projecto de musealização do castelo, por solicitação da Câmara Municipal de Albufeira, após várias reuniões com a Direcção de Faro do IPPAR, já que a autarquia realizou grandes investimentos no local.A primeira sondagem teve como objectivo a desobstrução da torre albarrã bem como a identificação de vestígios da calçada da entrada do castelo. A segunda sondagem permitiu verificar as fundações exteriores da muralha e desobstruir o exterior de todo o pano de muralha. Seguiu-se a limpeza da barbacã e da muralha à entrada da fortificação. A quarta sondagem viabilizou a identificação de casa com pátio interior e cisterna (Fig.1), junto à capela, sendo que as sondagens posteriores revelaram: uma rua com canalização a desembocar numa abertura da muralha a Sudeste. A sondagem n.º7 foi efectuada para limpeza da entrada da cinsterna e no sentido de permitir a delimitação do pátio pertencente à casa aí existente (Fig. 2).Na oitava sondagem foram identificadas estruturas habitacionais e construções viárias de várias épocas. Refira-se que a rua da sondagem n.º6 está intimamente rlacionada com esta última, encontrando-se no mesmo eixo. Verificou-se, igualmente, que a canalização de drenagem das águas desemboca na muralha, onde existe a respectiva abertura. A última sondagem permitiu avaliar a existência de estruturas habitacionais de casas islâmicas com remodelações cristãs e a determinação de uma nova rua.O espólio proveniente destes trabalhos arqueológicos, avaliado em cerca de 5 500 fragmentos de cerâmicas, 1000 registos de metais e ainda espólio osteológico, este espólio encontra-se em estudo no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra, sendo que o restante integra, actualmente, o sector de reservas do Museu Municipal de Arqueologia.A última intervenção no local foi realizada durante cerca de seis meses, em 2004, numa área de 350 m2, por forma a dar continuidade às escavações a Oeste e Sudeste da muralha e por forma a permitir uma contextualização histórica dos materiais encontrados.No que se refere à muralha, o objectivo foi a identificação de patologias, a determinação das características físicas e das técnicas construtivas. Em Setembro de 2004, iniciaram-se os trabalhos de restauro das muralhas da fortificação, procedendo-se a ensaios com cubos de taipa e começando-se com as crivagens das terras retiradas da escavação.Embora, actualmente, o castelo de Paderne, seja propriedade do IGESPAR, a Câmara Municipal de Albufeira tem, desde a década de 80 do século passado, colaborado e apoiado os trabalhos de arqueologia desenvolvidos, no âmbito de um projecto de musealização, cujos intervenientes são a entidade de tutla-IGESPAR, a professora Helena Catarino e a CMA.


Fig. 1 - Casa com Pátio Interior e Cisterna



Fig. 2 - Cisterna


Obrigado ao Amigo Pedro Oliveira Pinto